Dando Nota

Rodrigo Alves

A cidade que me acolhe

Publicado no Jornal de Piracicaba em 4 de agosto de 2017
Caderno Cultura – Página 2

Esta semana uma colega de profissão quis uma entrevista comigo. Foi estranho. Jornalista está habituado a fazer perguntas, não em respondê-las. O motivo era uma reportagem sobre pessoas radicadas na cidade, para uma série especial dos 250 anos de Piracicaba.

Inevitáveis lembranças surgiram e, também, a constatação. A paixão pela cidade surgiu por meio do jornalismo, ofício aprendido nestas terras e que me aproximou da cultura local.

É da Unimep as primeiras memórias. Conquistei uma bolsa estágio no Centro Cultural Martha Watts. Segui para a cobertura cultural na redação de A Tribuna. Caminho trilhado, anos depois, no Jornal de Piracicaba, após certo tempo na assessoria do folclórico João Herrmann Neto e me aventurar nas vizinhas Americana, Saltinho e Santa Bárbara d’Oeste.

Da cobertura em cultura, conheci o Elias Rocha, o Elias dos Bonecos, e senti o peso da cobertura da sua morte, em 1º de abril de 2008. Entrevistei, fiquei amigo e chorei a perda da atriz e diretora Laura Lucci, do Tusp. Fiz a última entrevista — em 2009 — com Eugênio Nardin, mestre do entalhe que me ensinou que a arte é “é aquilo que sai da alma”.

Tive o privilégio de produzir pautas com Henrique Spavieri, fotógrafo que formou uma geração de excelentes profissionais, e de conviver com Meg Tumang, sempre alegrando a redação.

Considero-me privilegiado pelo contato com o Circo do Piranha, a Ceta e suas diferentes formações, o Andaime Teatro, as versões da Paixão de Cristo, a Festa do Divino, as Noites da Seresta no largo dos Pescadores, as várias edições do Salão de Belas Artes na Pinacoteca, o sempre acessível Sesc, palco da Bienal Naïfs, do Rio das Artes e de incontáveis shows, e o caloroso Sesi, à espera do público com um cafezinho na recepção.

O jornalismo me aproximou do Salão Internacional de Humor, da Cultura Artística, dos festivais de teatro e de música erudita, dos concertos memoráveis da Sinfônica de Piracicaba, da Virada Cultural e de tantas outras atividades.

O jornalismo me deixou próximo da trajetória dos artistas. São tantos, não cabem nesta escrita compacta.

Conheci a Vila África, me encantei pelo Tanquã, tomei banho de lama na cucagna de Santa Olímpia, descobri o cuscuz do Arapuca, o cururu de Moacir Siqueira.

No aniversário de 250 anos da cidade, o tempo de permanência em Piracicaba é o mesmo que na minha terra natal. São 17 anos em Inconfidentes, outros 17 aqui. Já não sei responder se sou mais mineiro ou mais piracicabano. O que sei é que a cidade me acolheu e, como um adolescente apaixonado, não deixei que a paixão escapasse pelos dedos.

Já não estou mais no jornalismo diário, mas ele me deu de presente a cidade, sua cultura, seu rico patrimônio imaterial, além de amigos e novas possibilidades de trabalho.

Todas as manhãs a cortina se abre. Aos meus olhos, salta um espetáculo chamado Piracicaba.

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Publicado às 4 de agosto de 2017 por em Piracicaba e marcado , .

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#piracicaba250anos #PiraParade #Piracicaba250anos Festa na roça #piracicaba250anos Jornalista sendo jornalista até no bar! Eu pagando de tímido e sendo flagrado no Leblon Janelas do Tempo, exposição aberta hoje na Acipi, promovida pela Câmara de Vereadores de Piracicaba, para comemorar os 250 anos da cidade. #piracicaba250anos Como é bom ser criança! Lorenzo empolgado com a coleção de minions! Aquecendo com a #MinhaOSP
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