Dando Nota

Rodrigo Alves

Desconstruir estereótipos

Publicado no Jornal de Piracicaba em 7 de julho de 2017
Caderno Cultura – Página 2

Não é de hoje que o movimento pela igualdade de gêneros tem trazido bons resultados à sociedade. O exemplo mais recente é a posição do Ministério da Justiça de que é ilegal a cobrança de valores diferentes para homens e mulheres em casas noturnas e festas.

A lógica é simples, se levarmos em conta a nota técnica do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, extensiva a bares e restaurantes: utilizar a figura feminina como estratégia de marketing fere os princípios da isonomia e da dignidade da pessoa humana.

Conforme o órgão, os estabelecimentos serão notificados por meio das entidades representativas e terão um mês para promover as adequações. O procedimento já estava explícito no Código de Defesa do Consumidor, mas a própria Justiça e os donos das casas noturnas faziam vista grossa.

O argumento para acabar com a cobrança diferenciada surgiu após o questionamento de um estudante de direito. Afinal, é justo que um homem pague a mais? Na televisão, um rapaz aparece reclamando do privilégio às mulheres, numa reportagem em programa dominical de grande alcance.

É justamente o oposto. Não é privilégio algum a concessão de descontos, pois ela segue a linha de que a balada terá mais mulheres, que pagaram menos e que estão disponíveis como cardápio, prontas para serem caçadas. Algo machista, simplista e enganoso.

Há outros fatores: o suposto desconto é um produto que colabora com os estereótipos e os preconceitos, que contribui para a objetificação da mulher e que mantém a visão arcaica de marketing, colocando o feminino como fetiche ou brinquedo sexual.

Uma juíza se posicionou e o Ministério da Justiça também. E aí? Mudará, a partir de agora? Não, se esperarmos que a ação venha das autoridades. Tão menos se acharmos que existirá fiscalização nas portas das baladas. A mudança começa no enfrentamento real (de homens e mulheres) em denunciar o abuso do que sempre foi contra a lei.

Seguindo a mesma linha de discussão, é inevitável não citar o desrespeito com as mulheres no meio publicitário. Quem sabe não seja hora de levantar a próxima bandeira?

Ainda são incontáveis os comerciais de cervejas, sabonetes, hidratantes e produtos domésticos que sexualizam, subjugam e subestimam a imagem feminina. Que tentam vender e seduzir, a partir de um discurso vazio e ultrapassado, que não condiz com a realidade atual.

A postura do Ministério da Justiça é uma pequena movimentação no quesito empoderamento feminino e deve ser vista com bons olhos, ainda que existam desafios para a equidade de gênero no âmbito governamental, entre as empresas, mercado e na sociedade como um todo.

Vale a pena lutar sempre! Pois existe uma representação diuturna do machismo na sociedade.

Primeiro a gente acaba com a diferença dos preços nas baladas. Depois a gente tira o Temer. Aquele, sabe? Que, além de ter tramado contra a única mulher na presidência da República para ocupar a sua vaga, fez um discurso desastroso e sexista em pleno Dia Internacional da Mulher, na presença da própria esposa.

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