Dando Nota

Rodrigo Alves

Uma série pra chamar de minha

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Publicado no Jornal de Piracicaba em 12 de maio de 2017

Caderno Cultura – Página 2 – Arte de Maria Luziano

Cara Gente Branca, Stranger Things, Girlboss e Santa Clarita Diet estão entre os “favoritos” na minha estante virtual da Netflix. Cada um dos títulos teve alguma peculiaridade que me prendeu na poltrona do começo ao fim. No entanto, tenho dificuldades de encontrar uma série para chamar de minha, mesmo diante de um catálogo tão vasto no serviço de streaming de vídeo.

Todas as séries citadas acima têm um fator que me incomoda: a duração. Sempre apreciei tramas mais longas, nos clássicos 45 minutos, aquela coisa de novela brasileira, sabe? Aí, não me resta outra alternativa senão “maratonar”. Acaba a série e saio “à caça” de novos títulos, também curtos e devorados rapidamente.

Outra característica das mesmas produções é a periodicidade. Aos exemplos acima podemos somar 3%, Black Mirror, The Get Down, The OA, Jessica Jones e Desventuras em Série. Mesmo tendo 40 minutos ou mais, possuem de oito a dez episódios.

Gente, como assim, uma temporada tão curta? É de matar qualquer fã de série! Quando você começa a entrar no ritmo da trama, ela chega ao fim. E pior: não consegue criar identificação com os personagens e tão menos se apegar a eles com profundidade.

Séries para chamar de minha, eu tive! E foram muitas, todas com vida longa e episódios gigantescos. Das que estão no catálogo da Netflix e têm produção sob sua responsabilidade, a única exceção é House of Cards. As demais, todas, já terminaram há alguns anos.

Em The O.C. devorei os 92 episódios, divididos em quatro temporadas, com direito a caixa de lenços e sessão pipoca para acompanhar os dramas dos casais Seth e Summer e Ryan Atwood e Marissa Cooper. Reassisti aos episódios tantas vezes que até comprei um box em DVD com a série completa.

E o que falar da novela teen Gossip Girl, de 121 longos capítulos, com Serena van der Woodsen, a garota que todos amavam odiar, e sua amiga-vilã Blair Waldorf?

Dessa leva posso citar ainda Breaking Bad, de cinco temporadas e 62 episódios, Dexter, o psicopata-mor e suas oito temporadas, e Desperate Housewives, iniciada em 2004 e com término em 2012, num total de 180 episódios.

Entendo que a Netflix está amparada em pesquisas para definir o novo formato, que as séries curtas satisfazem a uma demanda do novo mundo, imediatista e ágil em tudo, e que é possível aproveitar as horas vagas para curtir uma série no ônibus, metrô, trânsito, enfim, até no intervalo do lanche.

Ainda que bem produzidos, com roteiros dinâmicos e originais, cenas impactantes e histórias comoventes, os “seriados fast foods” ficam no essencial, no raso, na superficialidade, e soam como o velho ditado “prato que alimenta a todos não mata minha fome”.

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Publicado às 12 de maio de 2017 por em Opinião e marcado , , .

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