Dando Nota

Rodrigo Alves

É greve!

Publicado no Jornal de Piracicaba em 28 de abril de 2017
Caderno Cultura – Página 2

Esta sexta-feira, 28, seria o dia que o leitor abriria a página 2 do caderno Cultura e encontraria uma parte da página em branco. Seria. Só não é porque a escrita deste texto acontece de forma antecipada. Na data de hoje, o meu apoio é para a greve geral.

Primeiro, não trata-se de um posicionamento partidário, ou de inclinação para esquerda. É o momento de dizer não a um governo que propõe uma “nova política”, que afeta aos trabalhadores de maneira direta.

É greve geral pois os temas são sobre o Brasil como um todo, a política econômica, a forma política com que o país é conduzido e pela falta de debate com a sociedade.

É greve geral num momento em que 75% da população classifica como ruim ou péssimo o governo federal e apenas 4% “aprovam” o presidente Michel Temer.

É greve geral, contra a Reforma da Previdência, que inviabilizará o acesso à aposentadoria para atender aos interesses dos bancos e planos privados de previdências.

É greve geral, depois de engolirmos a aprovação da PEC 241, que congelou os investimentos públicos pelos próximos 20 anos e extinguiu o aumento real no Orçamento destinado à prestação de serviços públicos.

É greve geral mais do que legítima, na semana em que a Câmara dos Deputados aprovou o texto sobre o trabalho terceirizado de forma irrestrita para qualquer tipo de atividade. Algo datado do final da década de 1990, desengavetado em prol do mercado financeiro.

Greve porque não podemos aceitar a aprovação da Reforma Trabalhista, que faz a maior alteração nas regras envolvendo patrões e empregados das últimas sete décadas, alterando diretamente 200 artigos na CLT.

É greve geral após a Reforma do Ensino Médio, cujos arranjos curriculares colocou em segundo plano disciplinas essenciais como filosofia, sociologia, educação física e arte.

É greve geral, depois da entrega do pré-sal às empresas internacionais.

É greve geral para demonstrar aos representantes eleitos que os interesses sociais não estão sendo representados por quem é muito bem remunerado para isso.

É greve geral para dizer basta aos 8 ministros, 3 governadores, 24 senadores e 39 deputados federais indiciados pela Lava Jato.

É greve geral, assegurada pela Constituição, para chamar a atenção sobre a manutenção dos pilares básicos do Estado Democrático de Direito.

É greve que clama por igualdade, liberdade, o livre exercício da cidadania e da manifestação popular. É greve por dignidade.

É greve geral, plural, de metroviários, motoristas, estudantes, fiscais, enfermeiros, professores e servidores. Mas é greve geral também para selarmos um momento histórico.

É greve pelo mínimo. Não é muito o que queremos!

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