Dando Nota

Rodrigo Alves

Complexo de Ken e Barbie

facetune

Publicado no Jornal de Piracicaba em 20 de janeiro de 2017
Caderno Cultura – Página 2

Indo e voltando na timeline do Facebook ou do Instagram, diariamente vem a pergunta: é só impressão ou as pessoas perderam o senso estético?

E não é questão de textões, de montagens ao estilo Orkut, apps de testes ou posts políticos.

O questionamento é com os retratos. Ou melhor, com os autorretratos. Com as selfies. Ou o que fizeram com elas.

Superada a discussão sobre o excesso de selfies (já relacionada, em estudo, à falta de sexo), vem a pergunta: onde foram parar as rugas e linhas de expressão?

A tiazinha de 64 anos, com cara de uva passa, agora tem um rosto de pêssego.

O amigo de 35, que malha as pelancas na academia, sorri com o rosto quadrado e queixo pontudo. Sem as papadas, obviamente.

A adolescente de 14 anos, pele de roseira, vira a Gisele Bündchen. Ou, pelo menos, se acha a tal.

Tá certo. O ser humano é cheio de defeitos. E cheio de vaidades, também.

Só que as novas versões das selfies, impulsionadas pelos aplicativos de smartphone, em especial o Facetune, estão um tanto estranhas. Até os narigudos sumiram do pedaço! Estão mais parecidas com as propagandas da Ana Maria Braga que estampam desde condomínios a marcas de lingerie.

E não é só o Facetune. Há uma lista extensa de apps gratuitos, para todos os tipos de celulares. É Photo Retouch, Beauty Booth, Beauty Camera, PicBeauty… todo mundo querendo ficar beauty, sem ser beauty de verdade!

Pausa para a mea-culpa, para não ser taxado de amargo. Fascinado pelo Photoshop, já cai na armadilha: clareei demais os dentes, deixei os olhos mais verdes do que deveria, afinei o nariz e removi as rugas da testa (ah, e os pés de galinha também).

Mas, antes de os aplicativos fotográficos para celulares entrarem na moda, percebi que estava sendo insensato comigo mesmo.

Uma coisa é fazer uma boa foto, bem iluminada, ou remover a espinha incômoda, que apareceu sem querer. A outra é fazer isso em todas as fotos. E mudar o queixo, o sorriso, a sobrancelha, a testa, a cor dos cabelos, a cintura… algo que eu arrisco chamar de complexo de Ken e Barbie.

Deixando a tiração de sarro de lado, a situação deve ser analisada friamente, com ou sem ajuda de psicólogo: se até os profissionais dos retoques fotográficos cometem exageros nas celebridades, você acha que passará imune?

Exemplos não faltam:

A cantora Preta Gil apareceu quase sem pescoço e com ombros muito largos em uma das imagens de divulgação da C&A.

A atriz Fernanda Vasconcellos surgiu de biquíni numa praia, mas sem umbigo, num comercial das Havaianas.

Justin Bieber teve uma ajudinha para acentuar os músculos e até o recheio da cueca na campanha da Calvin Klein.

Indo um pouco além: muitas celebridades manifestaram incômodo com o excesso de retoques na extinta Playboy. Até as artistas, que gostam de parecer pessoas perfeitas, analisam a situação de forma crítica. Por isso é razoável levar essa lição para as nossas rotinas.

Amigos, depois desses argumentos, espero que se convençam. Desinstalem dos seus smartphones o Facetune ou qualquer outra praga do gênero. A premissa é básica: não existem pessoas perfeitas.

Ou, então, comecem a juntar as moedinhas de verdade e procurem o bisturi do Doctor Rey.

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Publicado às 20 de janeiro de 2017 por em Opinião e marcado , , , , .

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