Dando Nota

Rodrigo Alves

Caça às notícias falsas

donald-trump

Publicado no Jornal de Piracicaba em 13 de janeiro de 2017
Caderno Cultura – Página 2

Acostumado a aparecer na mídia com a cara recheada de pancake, Donald Trump tem criticado a parcialidade dos órgãos de imprensa. Alçado a presidente dos Estados Unidos, o bilionário faz campanha ferrenha para invalidar os canais CNN e BBC, alegando o favoritismo a Hillary Clinton e a produção de “fake news”.

Desde o início da campanha eleitoral em território americano, a internet tornou-se palanque de discussões acaloradas, tanto dos republicanos, quanto dos democratas, em virtude de uma hipotética divulgação de notícias falsas, prol ou contra ambos os lados.

“Essas são as pessoas mais desonestas”, disparou o pai de O Aprendiz, ao reclamar, em agosto, dos repórteres do The New York Times. Antes, Trump mirou o The Washington Post. E disse que o BuzzFeed “é uma pilha falha de lixo escrevendo”.

É nítido que as investidas de Trump demonstram insatisfação aos que contestam suas versões dos fatos. Mas, do ponto de vista do cidadão, como fica?

Se para os profissionais da comunicação, o conceito de subjetividade da notícia é “lugar-comum”, assim como a percepção do que é verdadeiro, falso ou meia-verdade, há dois graves problemas: a capacidade de discernimento do público leigo, independente da formação, nível econômico e idade, e a manipulação dos dados na internet.

Recentemente, estudo da Universidade Stanford classificou de lamentável a dificuldade dos jovens em distinguir, nas redes sociais, propagandas de notícias ou identificar de onde veio a informação. Dos 7.804 estudantes analisados por 18 meses, 80% não conseguiram apontar diferenças nas chamadas de notícias e de conteúdos patrocinados, mesmo quando o portal explicitava que a reportagem era comprada por anunciantes.

Estudo do BuzzFeed demonstrou que as 20 notícias falsas nas redes sociais sobre as eleições de Trump e Hillary, nos três meses que antecederam o pleito, geraram 8,7 milhões de curtidas, comentários e compartilhamentos, enquanto o engajamento para as informações verdadeiras foi de 7,3 milhões.

Entre os acusados de disseminar a mentira está o Facebook, a partir de algoritmos em prol das informações erradas sobre as eleições, o que teria contribuído para influenciar a decisão do americano nas urnas. Somente agora vem a reação de Mark Zuckerberg, ao colocar seus engenheiros de software para criar sistema de reconhecimento de notícias falsas ou erradas, uma espécie de “ecossistema de notícias saudáveis”.

Não é preciso bola de cristal para constatar que o Brasil passou pela mesma situação no processo de impeachment, no ano passado, e na acirrada disputa presidencial de 2014. Uma porção grande criticou a linha editorial de Folha, O Globo, Estadão, Veja, IstoÉ e Rede Globo, mas deitou e rolou na internet, compartilhando notícias sem verificar fontes.

É mais preocupante quando trata-se de tema polêmico ou de factoides, que podem ameaçar a democracia e moldar a opinião pública, como tem agido de forma sistemática o presidente dos Estados Unidos, na tentativa de igualar veículos tradicionais aos de notícias falsas.

Numa época em que a sociedade passa boa parte do dia conectada e que a rede social é campo minado, é muito grave que as pessoas se afoguem num mar de desinformação.

Mais do que separar o joio do trigo, a tarefa é desenvolver o raciocínio on-line cívico. Um bom começo é colocar a pulga atrás da orelha, não levar tudo ao pé da letra e, principalmente, não compartilhar algo sem a certeza de que é verdadeiro.

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. A frase de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler, tem muito a nos ensinar, ainda, sobre as consequências da vida on-line na offline.

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Opinião e marcado , , , , .

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