Dando Nota

Rodrigo Alves

Perguntas aos candidatos

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Publicado no Jornal de Piracicaba em 30 de setembro de 2016
Caderno Cultura – Página 2

Esta semana tive uma conversa séria com um candidato. Se eleito vereador no dia 2 de outubro, ele disse que batalhará pela saúde, educação e cultura. A este e aos outros candidatos, deixo alguns questionamentos e aspirações.

Primeiro, candidato, o senhor sabe o que é a Lei Orçamentária Anual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, o Plano Plurianual e o Regimento Interno?

O senhor tem conhecimento que o Orçamento estimado para a cidade é de R$ 8 bilhões em 2017? Se sente capacitado para fiscalizar a aplicação desses recursos?

Sendo de oposição ou de situação, o senhor pretende atuar na fiscalização do Executivo, cumprindo uma das funções parlamentares?

O candidato tem clara a diferença entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário?

Antes de pensar na candidatura, vossa senhoria visitou alguma vez a Câmara de Vereadores? Já esteve em alguma reunião ordinária ou audiência pública? Quais foram os projetos mais importantes votados nos últimos anos?

O que são e para que servem os requerimentos, indicações, moções, projetos de lei, projetos de decreto legislativo, projetos de lei complementar e projetos de resolução?

Aproveitando a conversa, o que faz um deputado, estadual e federal? E o governador? O Senado, para que serve? O que é Tribunal de Contas?

O que o levou a escolher o seu partido político? Qual a ideologia da legenda? Quem são os principais líderes? O senhor se alinha ao pensamento do partido?

O senhor se candidatou por vontade própria ou foi escolha de agremiação religiosa? O que pensa do Estado Laico?

E a confusão sobre o caráter assistencialista do Legislativo, tão comum, o que o candidato pensa? Agirá para alimentar ou combater esse pensamento?

Caso eleito, quem serão os seus assessores de gabinete? Compreendem minimamente o processo legislativo? O que fizeram para merecer os cargos? Eles têm bom trato com a população?

O senhor conhece e se deu ao trabalho de percorrer a cidade fora do período eleitoral? Quais são as reais necessidades “das minorias” e o que reivindicam os movimentos sociais?

Ei, quer ser meu candidato? Esboce sua posição sobre Escola sem Partido, o pato da Fiesp, Sérgio Moro, a identidade de gênero, o reconhecimento dos direitos civis de casais do mesmo sexo, a violência à mulher, a reforma política, a deposição de Dilma e a ascensão de Michel Temer.

Estas são apenas algumas das perguntas, em que, sendo respondidas, tanto o novato, marinheiro de primeira viagem, quanto o veterano, que tenta a reeleição, podem conquistar o meu voto, tendo o ensino fundamental ou a graduação.

Conquista o meu voto quem demonstrar cabeça aberta para entender que a política exige flexibilidade. Em outras palavras, jogo de cintura.

Por favor, não leve a palavra flexibilidade ao pé da letra. Nem se ache no direito de transitar ora aqui, ora ali. Pois no dia a dia também é preciso ser duro e bater na mesa. Isso tem nome: coerência.

Ter cabeça aberta significa minimamente que o senhor, candidato, pensa diferente de retrógrados e fascistas como Eduardo Cunha, Bolsonaro (pai e filho) e Marco Feliciano. Só para deixar bem claro!

Um bom candidato, para mim, se esforçará para zelar pela democracia, ainda que esteja numa Câmara de Vereadores, e vez ou outra, deve ocupar a tribuna da Casa de Leis para ampliar o debate em nossa cidade.

É um exercício e tanto, exige esforço, mas vale a pena tentar, numa época de judicialização da política, partidarização do Judiciário e a clássica confusão de que o Legislativo tem funções executivas. Numa época em que precisamos de pessoas de bem.

Por falar em “executivação” do Legislativo, jamais terá o meu voto o candidato que promete creches, praças, áreas de lazer, asfalto, dentadura e caixa d’água. Promessas demais repelem o meu voto, senhor candidato.

Os desesperançosos dirão que não existe esse candidato. Ainda prefiro acreditar no poder do voto, na importância da política e na boa-fé dos que buscam o bem coletivo.

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Publicado às 30 de setembro de 2016 por em Opinião, Piracicaba e marcado , , , , .

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