Dando Nota

Rodrigo Alves

Um rio que ainda passa em nossas vidas

Livro Cecílio Elias Netto

Publicado no Jornal de Piracicaba em 29 de julho de 2016
Caderno Cultura – Página 2

É do escritor russo Leon Tostoi a frase que bem define a trajetória de Cecílio Elias Netto: “para ser universal, basta cantar a sua aldeia”. Aos 76 anos, o escritor e jornalista reafirma a paixão pela terra natal com o livro Piracicaba — Um Rio que Passou em Nossa Vida.

Lançada com patrocínio da Caterpillar, Cosan e Raízen, via Lei de Incentivo à Cultura, a obra é um presente à cidade, na véspera do seu aniversário de 249 anos. É uma importante fonte documental de pesquisa, sobre a história e a cultura de Piracicaba, que somam às outras já lançadas pelo autor, a exemplo do conhecido Dicionário do Dialeto Caipiracicabano – Arco, Tarco e Verva.

Cecílio trata o rio como patrimônio imaterial do município e como o principal ícone da cidade, máxima reafirmada várias vezes nas 217 páginas. Vai além disso, num gesto ousado. Sacraliza o tema e divide o livro em capítulos bíblicos: Gênesis, Batismo, Crisma, Eucaristia, Matrimônio, Enfermos, Penitência e Ressureição.

Se na primeira obra da trilogia — Piracicaba que Amamos Tanto, lançado no ano passado — a reverência maior está para o aspecto histórico, o segundo livro nos remete ao que há de mais atual, principalmente a expedição ao desconhecido Tanquã, na parte dedicada às pontes e no capítulo sobre as iguarias da culinária local, como o tradicional cuscuz de peixe.

É também feliz a inclusão, mesmo que breve, do olhar apaixonado de pintores célebres, nomes como Renato Wagner, Joaquim e Archimedes Dutra, Alberto Thomazzi, Angelino Stella e Hugo Benedetti.

O livro provoca a deliciosa sensação de ter em mãos mais que uma publicação de acabamento refinado. Há certos cuidados na edição que saltam aos olhos, como a tradução dos textos para o inglês e as fotografias, finalizadas em verniz e em papel fosco com textura, o que torna mais agradável a experiência tátil do folhear.

Aliás, a cereja do bolo está justamente na seleção das imagens, parte considerável de autoria de Davi Negri e Fran Camargo, e outras produzidas por Christiano Diehl Neto, Paulo Ricardo Santos, Fabrice Desmonts, Adilson Zavarize e Del Rodrigues, entre outros nomes da fotografia local.

Tecelão das palavras, daqueles que as tecem uma a uma, artesanalmente e com espontaneidade, Cecílio é um ecólogo das antigas, do tempo em que a preservação à natureza sequer era modinha. Jornalista inquieto e muitas vezes polêmico, encontrou a linguagem ideal para pontuar as páginas do novo livro, num momento em que falar sobre o meio ambiente é mais que necessário.

Assim como aconteceu no primeiro dos três volumes, o livro potencializa o sentimento de pertencimento, mesmo aos que não nasceram na cidade. E nos dá a total certeza que o responsável por esse acolhimento é o nosso rio.

Cecílio, mais uma vez, nos faz cantar a nossa aldeia e, principalmente, amar ainda mais o rio que passa em nossas vidas.

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Publicado às 29 de julho de 2016 por em Opinião, Piracicaba e marcado , , , , .

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#piracicaba250anos #PiraParade #Piracicaba250anos Festa na roça #piracicaba250anos Jornalista sendo jornalista até no bar! Eu pagando de tímido e sendo flagrado no Leblon Janelas do Tempo, exposição aberta hoje na Acipi, promovida pela Câmara de Vereadores de Piracicaba, para comemorar os 250 anos da cidade. #piracicaba250anos Como é bom ser criança! Lorenzo empolgado com a coleção de minions! Aquecendo com a #MinhaOSP
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