Dando Nota

Rodrigo Alves

A esperança equilibrista

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Publicado no Jornal de Piracicaba em 8 de janeiro de 2016
Caderno Cultura – Página 2

É no último dia de 2015 que escrevo o primeiro texto de 2016. É a única alternativa que restou, estarei em viagem de férias na primeira quinzena de janeiro. Pensei várias vezes sobre o que abordar. Um balanço das coisas boas que passaram? Remeter aos sonhos e desejos para o novo ano?

Vejo as pessoas compartilharem nas redes sociais mensagens de paz e versinhos para celebrar o Ano-Novo. Nas ruas, elas seguem agitadas. A pressa denuncia a necessidade de cumprir as últimas tarefas do ano, no pouco tempo em que as lojas permanecem abertas. No elevador, abrem um sorriso no curto trajeto até seus apartamentos. E há os mais sinceros e categóricos: “vai tarde 2015”.

Um amigo desejou feliz 2016 dizendo que o ano termina melhor do que começou. Comentário acompanhado de uma notícia do jornal O Estado de S. Paulo, de que o tucano Aécio Neves teria recebido R$ 300 mil a mando do doleiro Alberto Youssef. Uma conhecida utiliza a foto de Dilma Rousseff para dizer que a esperança em 2016 é o impeachment da presidente.

2015 foi o ano com meses de denuncismo: Lava Jato, Zelotes, Politeia e Pixuleco. Teria sido o ano que não começou e não terminou, como disse Renan Calheiros, presidente do Senado, tão santo quanto os demais investigados. E para 2016? É dar tempo ao tempo para ressurgir Eduardo Cunha desestabilizando o Congresso, o “vice decorativo” almejando a faixa presidencial, a bancada BBB (boi, bala e bíblia) conservadora e a imprensa golpista, pronta para espalhar o sentimento de medo na população, com o discurso da crise.

Em meio a este cenário, as redes sociais foram transformadas num imenso tribunal. As pessoas extrapolaram seus posicionamentos partidários. Chico Buarque, Fernando Morais, Paulo Betti, Sérgio Mamberti, Jô Soares e outras figuras foram enxovalhadas por manifestarem suas opiniões em público. Muito gente radical e fascista virou santa no último dia de 2015 e nas primeiras horas de 2016. No primeiro dia útil, já estava na rede, de novo, mostrando toda a sua raiva e intolerância.

2016 será o ano das eleições municipais para prefeitos e vereadores, em outubro. Onde o eleitor, cidadão comum, se colocará? Dará importância a esse processo ou preferirá se iludir com as Olimpíadas, também marcada para este ano? Será apenas um “ativista de sofá” ou arregaçará as mangas de verdade, para buscar o melhor para a sua cidade? Se há algo que me entristece é ver a pouca importância dada às eleições locais. Mudar o micro é, afinal, uma ótima alternativa para melhorar as condições do país.

É de Elis Regina a trilha sonora que embala meu último texto de 2015 (ou seria o primeiro de 2016?). Pois chora a nossa Pátria mãe gentil. Chora com Marias e Clarisses. E chora, mesmo na corda bamba, com a esperança equilibrista.

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Publicado em 8 de janeiro de 2016 por em Opinião.

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#piracicaba250anos #PiraParade #Piracicaba250anos Festa na roça #piracicaba250anos Jornalista sendo jornalista até no bar! Eu pagando de tímido e sendo flagrado no Leblon Janelas do Tempo, exposição aberta hoje na Acipi, promovida pela Câmara de Vereadores de Piracicaba, para comemorar os 250 anos da cidade. #piracicaba250anos Como é bom ser criança! Lorenzo empolgado com a coleção de minions! Aquecendo com a #MinhaOSP
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