Dando Nota

Rodrigo Alves

O Fentepira em 10 atos

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Publicado no Jornal de Piracicaba em 20 de novembro de 2015
Caderno Cultura – Página 2

O Rubens Vitti Jr., editor do caderno Cultura do JP, talvez fique bravo ao abrir este artigo para revisão. Eu me segurei, busquei outro assunto, tentei evitar. No sábado passado, 14, ele escreveu o Fentepirando, uma síntese de boas impressões sobre o 10º Festival Nacional de Teatro de Piracicaba. Meu texto era para ter saído antes, aí o Lodo de João Scarpa e Ricardo Araújo atravessou o caminho. Por isso, leitor, esteja ciente: vou falar, também, sobre o Fentepira, sem recorrer ao apelo do Fentepirando 2.

Não me recordo onde e quando ouvi a expressão, que se aplica a mim: “uma vez picado pelo mosquitinho do teatro, é sem volta”. A paixão veio como espectador, sentado na poltrona, sem subir ao palco, sem experimentar a atuação. Caso de amor imediato. Tive sorte das grandes: a universidade oferecia bons espetáculos com preços acessíveis aos seus alunos. Matei aulas teóricas e práticas para conhecer dramas, tragédias, farsas, comédias e até o stand-up comedy, confesso.

As artes cênicas me abriram as portas para as variáveis: a música, o cinema, a dança, os quadrinhos, a pintura, a fotografia, a arquitetura e a poesia. Graças a uma peça pregada pelo destino, caí numa editoria de cultura no exercício do jornalismo. Fiquei ainda mais próximo das manifestações, com certa predileção para o teatro. É nesse contexto que entra o Fentepira.

Quando o festival nasceu, em novembro de 2006, estava afastado da cultura e ocupava uma vaga de assessoria de imprensa na área política. Mesmo assim, acompanhei o 1º Fentepira. Conferi, na praça José Bonifácio, a abertura oficial com A Rua é um Rio, do Tablado de Arruar. Chorei e me encantei com o espetáculo Candim, sobre a vida de Cândido Portinari, encenado pela Cia. da Casa Amarela. Vi a boa atuação do teatro local com Filho das Águas, da Tragatralha Cia de Teatro, e Navalha na Carne, do Grupo Gestus de Teatro.

À cultura retornei como repórter neste mesmo JP, em 2007. Produzi matérias, participei dos debates pós-espetáculos e senti a energia pulsante da classe artística local. Num exercício “forçado”, descrevia em textos as impressões de cada atração, uma solicitação de Eleni Destro, então editora do caderno Cultura. Exercitava, em poucas linhas, o olhar crítico sobre o fazer teatral, dividindo a missão com a colega Marcela Benvegnu.

Nessa cobertura incansável, sucessivas vezes nos frustramos com as boas entrevistas dos diretores (antes dos espetáculos) e com o conteúdo de encenação, que deixava a desejar. E vice-versa. Havia surpresas boas, principalmente quando o forte do grupo não era o material de divulgação, com textos mal-elaborados e fotografias de qualidade duvidosa, mas com um trabalho impecável no palco.

A minha história com o Fentepira ganhou novos contornos a partir de 2010. Era 20 de outubro. Fui “intimado” pela diretora do Teatro Municipal Dr. Losso Netto, Heloísa Guerrini Ferraz, horas depois do afastamento do JP. Ela foi avisada por uma amiga, Valéria Rodrigues, que estava “disponível no mercado”. Ainda muito triste com a demissão, hesitei. Helô, muito solícita, deu poucos dias para que elaborasse um projeto de assessoria de comunicação.

Depois disso, vivi o Fentepira intensamente. Nas reuniões com a comissão organizadora, no contato com os grupos para obter informações sobre as peças, nas produções dos releases das atrações, nas coletivas à imprensa, nas visitas às rádios e TVs, nos debates, nos cliques fotográficos, nas postagens no Facebook, nas atualizações do site e do blog e no monitoramento das notícias. É como se cada edição do Fentepira, para mim, se desdobrasse em 10 atos ou mais. Um verdadeiro presente dos deuses.

Ouso encerrar com Plínio Marcos e o texto O Ator. São palavras perfeitas e definem o que o Fentepira representa na minha caminhada: “…se empresta inteiro para expor para a plateia os aleijões da alma humana, com a única finalidade de que seu público se compreenda, se fortaleça e caminhe no rumo de um mundo melhor, que tem que ser construído pela harmonia e pelo amor… amo os atores e por eles amo o teatro e sei que é por eles que o teatro é eterno e que jamais será superado por qualquer arte que tenha que se valer da técnica mecânica”.

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Publicado às 20 de novembro de 2015 por em artes cênicas, Opinião, Piracicaba e marcado , .

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#piracicaba250anos #PiraParade #Piracicaba250anos Festa na roça #piracicaba250anos Jornalista sendo jornalista até no bar! Eu pagando de tímido e sendo flagrado no Leblon Janelas do Tempo, exposição aberta hoje na Acipi, promovida pela Câmara de Vereadores de Piracicaba, para comemorar os 250 anos da cidade. #piracicaba250anos Como é bom ser criança! Lorenzo empolgado com a coleção de minions! Aquecendo com a #MinhaOSP
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