Dando Nota

Rodrigo Alves

O uso de laser nos teatros

celular

Publicado em 16 de outubro de 2015 no Jornal de Piracicaba
Caderno Cultura – Página 2

O elenco é de bailarinos, músicos e atores da Disney. O espetáculo recebeu prêmios como o Tony e indicações ao Grammy. O teatro tem capacidade para duas mil pessoas e mescla elementos tradicionais e contemporâneos do design. Já os espectadores… parecem ter deixado a etiqueta em casa.

As luzes do majestoso Princess of Wales Theatre, em Toronto, se apagam. Os atores-bailarinos-cantores entram em cena. Segundo depois, uma senhora saca o iPhone. Com as mãos levantadas, faz sucessivos cliques com a tela multi-touch. Quer levar para a casa o precioso momento. Apenas a memória não basta, o registro em fotos é indispensável. A cena aconteceu em agosto, quando estive em férias e aproveitei para conferir o musical Newsies.

Dois anos antes, presenciei episódio semelhante na tradicional Broadway, ao assistir o musical Chicago, no Ambassador Theatre. Os cliques, neste caso, foram sucessivos, do começo ao fim, em efeito manada. Um tomou coragem e, o restante, aproveitou a oportunidade. Se alguém pode, eu também posso.

O que muda, de um teatro para o outro, é a postura das casas de espetáculos. No teatro em Nova Iorque, a organização do espaço faz o famoso “telefone sem fio”. A pessoa no canto da fileira é abordada pela direção e passa o pedido para quem está ao lado, até que o inconveniente recebe a mensagem. Nem sempre dá certo e incomoda muita gente.

Já no Canadá, a direção do teatro utiliza um feixe de luz vermelha na direção da tela do celular da distinta senhora. Um laser, desses em formato de caneta, bem baratex, disponível em qualquer camelódromo. E funciona! A única alternativa para a mulher: guardar o celular na bolsa e deixar todos em paz para assistir a montagem.

Ao ler a Ilustrada, na Folha de S. Paulo (edição de 13 de setembro), descubro que a medida está em vigor no Brasil, no Theatro Municipal de São Paulo. Oito brigadistas, estrategicamente posicionados, apontam a luz vermelha diretamente no celular, tablet ou máquina fotográfica (e nunca no rosto, segundo os funcionários do local, conforme a reportagem).

Para quem está nas casas de espetáculos com frequência, como é o meu caso, são muitas as situações incômodas nas apresentações de teatro, balé ou música. Se tem rostinho conhecido no elenco, é um flash a cada sorriso. Situação pior acontece com os pais babões. Alguns gravam o espetáculo na íntegra. Como não querem perder um ângulo de suas proles, sentam logo nas primeiras fileiras.

No Brasil, em 2014, artistas iniciaram a campanha “Saia já do foco”, tendo como adeptos Reynaldo Gianecchini, Maria Fernanda Cândido, Antônio Fagundes e Nathalia Timberg. A mensagem é objetiva: “a luz do celular na plateia te coloca em cena. Respeite o público e o artista. Desligue”. Em resumo, mesmo que a pessoa não faça barulho, a luz desconcentra atores e espectadores.

Sempre achei estranha essa obsessão pelo registro dos espetáculos. Fotografando ou gravando, a pessoa se prende mais na captura da imagem e perde detalhes das cenas. E tem outra: esse vídeo ou foto, quem vai querer assistir? É uma coisa toda tremida, sem foco, com excesso ou falta de luz. Sem contar que muitos grupos disponibilizam imagens lindas na internet. É só entrar na página oficial e compartilhar.

Tanto aqui, quanto nos Estates, é fácil perceber. A mensagem ao início dos espetáculos pode ser emitida uma, duas ou três vezes. Mesmo assim, alguém vai utilizar o celular para atender uma ligação, responder mensagem de texto, interagir nas redes sociais ou fazer fotos e vídeos. Como falta a colaboração mútua, o uso de laser pode ser eficaz, mesmo que cause estranheza num primeiro momento. Santa invenção!

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Publicado às 16 de outubro de 2015 por em Opinião e marcado , , , , , .

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