Dando Nota

Rodrigo Alves

Sem espaço na memória

19 de julho-04

Publicado no Jornal de Piracicaba em 17 de julho de 2015
Caderno Cultura – Página 2

O feriado, quando cai no meio da semana, é salvação para muitos. Para mim, algumas vezes, é tormenta. Data da Revolução Constitucionalista, viagem inadiável para a casa dos pais. Em vez do descanso em terras mineiras, faço pausas rápidas para as refeições. Atenção para a família e os amigos, quase zero. Entre tantas tarefas a completar em tempo recorde, a surpresa vem a cavalo. Resta apenas um gigabyte na memória do meu computador. Unzinho. Nada mais.

Sem DVDs ou HD externo para me auxiliar na sessão descarrego, tem início a longa e inesperada tarefa. Torturante é o termo mais adequado. Começar por onde? Se falta espaço no computador, a alternativa é deletar os arquivos. Para isso existe uma tecla específica, antiga, presente no teclado desde os primórdios da computação, porém muito temida: delete. O caminho é óbvio, simples até demais, sem a necessidade de entender o código Morse.

Busca aqui e ali. Um simples botão emite o diagnóstico. São 265 componentes instalados na minha máquina desde a sua aquisição, no segundo semestre de 2011. Eu demorei para acreditar, mas nesta louca e agitada vida, poucas vezes fiz uma faxina. Coisas como um editor de fotos que prometia superar o Photoshop, conversores de PDF em texto, reprodutores de vídeo, codificadores, joguinhos e etc. Tudo estava ali, atrapalhando minha vida.

A primeira faxina é concluída em duas preciosas horas do feriado. Consulto novamente a lista de software instalados. São 83. Número bom, se servisse para aliviar o meu velho companheiro notebook. Sabe aquele um gigabyte de memória? Ganhou como companheiros outros 18 gigas. Naquela altura do dia, insatisfeito com o tempo perdido, não dou a batalha por vencida. Preciso de mais espaço, mesmo sem ter o tempo como aliado.

Abandono a ideia de apagar mais aplicativos e vasculho os itens que sobrecarregam o dito-cujo do sistema operacional. Dos 500 gigas da máquina, 182 estão consumidos com arquivos em vídeo, 168 com imagens, 54,9 com aplicativos, 56 com áudio e 20,9 com backups. A obsessão por mais espaço só aumenta. Esqueço o trabalho. Separo, cuidadosamente, as fotos de menor relevância. Seguem todas para a “nuvem”, outra dita-cuja que nunca confiei. Onde já se viu, uma vida armazenada no desconhecido.

Já distraído, penso sobre os caminhos da informática num curto espaço de 10 anos. Google Drive, iCloud, Dropbox e 4Shared, sem contar o YouTube, para vídeos, o Flickr, para fotos. Tudo coisa recente, necessidade que a gente criou sem saber se realmente precisa. Lá no passado, era uma conta no BOL e bastava o slogan “todo brasileiro merece ter um e-mail grátis”. Hoje, paga-se mensalmente (em doletas) para uma caixa extra de e-mail.

Como pode um ser humano precisar de tanto espaço para armazenar numa máquina? Recordo, no mesmo instante, dos antigos disquetes, com capacidade de 1,4 megabyte. Ainda tenho uma caixa guardada em casa, escondida e empoeirada, repleta deles. Procurei muitas formas de descobrir o que armazenam, mas leitor de disquete está mais raro que peça de museu. Nenhum amigo seu possui, sequer uma casa de informática.

Quatro horas depois, respiro aliviado. Após o exercício de desapego, meu computador ganha uma espécie de sobrevida. Exibe novos e lindos 28,7 gigabytes na memória. Sem saber quando será necessária nova faxina, retorno ao trabalho. Bate aquela saudade do primeiro pen-drive e de sua ultrajante capacidade de 10 megas. Tempos bons, quando usava o ditado “minha vida cabe num pen-drive!”

2 comentários em “Sem espaço na memória

  1. Rodrigo Alves
    9 de agosto de 2015

    Acredite: da data que eu fiz o artigo eu já precisei fazer mais uma limpeza! Pra ser bem sincero eu estou esperando muito pra comprar um HD externo, mas já quero um mega-power, e que sirva no Windows e no Mac. Ah, se eu pudesse, também já comprava um computador melhor. As fotos e os vídeos tenho resolvido bem no Flickr e no YouTube, mas algumas não posso tirar do computador, trabalho mesmo… e continuo sem espaço na memória!

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  2. fi80s
    9 de agosto de 2015

    hauahuahauh vc tb tem disquetes com conteúdo esquecido? eu tb!

    nossa, eu realmente não sei onde vai parar o problema de armazenar tantos dados… mas olha, comportamento gera demanda… depois que desativei o face e deletei o instagram, o que antes eram 5, 10 fotos ao dia no celular (e portanto 300 ao mês na nuvem e no notebook), passaram a 2 ou 3 por semana… algumas na verdade dos amigos que me enviaram por whatsapp

    textos, a maioria guardo como link de favoritos de pagina de internet, muitos são de domínio publico

    vídeos, assisto e deleto. se pensarmos bem, tem como acessa-los novamente em qualquer lugar e horário (youtube, p. e.); excetuando-se exemplares muitos raros de seriados ou filmes difíceis de encontrar.

    sim, os aplicativos consomem memória de armazenamento e execução, temos o tempo todo de pensar se compensa baixa-los indiscriminadamente. entristeço quando vejo programas que so usei uma ou duas vezes na vida, la, parados, ocupando espaço.

    Curtido por 1 pessoa

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Publicado às 17 de julho de 2015 por em Opinião e marcado .

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