Dando Nota

Rodrigo Alves

Intercâmbio cultural

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Publicado no Jornal de Piracicaba em 19 de junho de 2015
Caderno Cultura, Página 2

Há um consenso no meio artístico, em vários segmentos, de que falta diálogo entre os fazedores de cultura. Na música, na dança, no teatro e na pintura é assim. Você pega um sertanejo e percebe a distância dele com um deejay de música eletrônica. Nas artes plásticas isso fica evidente entre o acadêmico e o contemporâneo, por exemplo. Só que aqui em Piracicaba, há a iniciativa exemplar do Sesc, que busca a união das linguagens, de haver, pelo menos, o diálogo, a integração. Trata-se do Rio das Artes, que acontece neste sábado, 20 de junho, das 10h às 17h.

A proposta do evento – correalizado com a Secretaria da Ação Cultural e apoio da Secretaria de Turismo, JP, Revista Arraso e Torres Turismo – parece das mais simples. Um dia todo com os ateliês abertos e os artistas recepcionando o público, de posse de um mapa/guia, produzido por Erasmo Spadotto. Afirmo que a missão parece das mais simples porque dura um dia, mas trabalhar para esta união, no rompimento das barreiras, é o maior mérito do projeto, que  aumenta o vínculo da população e visitantes da cidade com a produção artística local.

O projeto retorna à cidade encabeçado por Chico Galvão, coordenador de programação do Sesc. Infelizmente, por choque de agenda, não compareci na terceira edição, no ano passado, mas acompanhei a abertura dos ateliês em 2010 e 2011, percorri o trajeto sugerido no mapa e senti, com mais profundidade, o que estava sendo pesquisado pelos artistas da cidade.

A quarta edição da versão piracicabana ainda parece chegar um pouco tímida, com a adesão de sete ateliês, o que causa a sensação da falta de engajamento dos artistas plásticos e visuais da cidade. No ano passado foram 15 ateliês e espaços culturais de portas abertas e 54 artistas envolvidos. Nas primeira e segunda edições, o número também empolgou, e ainda a abertura dos espaços também no domingo.

Resta saber o que desmotivou os artistas locais a não aderirem à proposta, que serve de estímulo ao desenvolvimento de ações que extrapolem a arte e levem ensinamentos e mensagens à população. Ora, pois, sem superestimar o potencial de nossa cidade, temos uma produção tão fértil quanto a da capital paulista, que realiza o Arte na Vila, na 13ª edição e a presença de 150 artistas, 45 ateliês, oito coletivos e três galerias.

Uma das artistas que integrou a primeira edição se disse frustrada por ter aberto o ateliê na data, e que a venda, de fato, não se concretizou. Não quis expressar a minha opinião quando ouvi o comentário, mas um pensamento como este é equivocado. Posso conhecer sua obra hoje, recomendar a um amigo amanhã, voltar ao ateliê depois, adquiri-la no futuro. E, neste aspecto, a visibilidade que o Rio das Artes é importante. Muito melhor que ficar postando foto de obra no Facebook é vê-la pessoalmente e entender o que motivou o artista a produzi-la.

Para mim, em especial, o mérito desta edição está em resgatar a memória do artista popular Elias Rocha, o Elias dos Bonecos, por meio de 10 bonecos de Jacob das Artes, livremente inspirados em sua obra, a partir de madeiras, roupas e garrafas pet. Ainda que as obras de Elias estejam “congeladas” e expostas na Casa do Povoador, é uma figura histórica que muito contribuiu com sua arte naïf, carregada de símbolos. De tempos em tempos são necessários acontecimentos novos, para que ele não caia no esquecimento.

Não sei como a classe artística avalia a iniciativa do Sesc, mas do ponto de vista de quem aprecia a cultura, a ideia é sensacional. O Rio das Artes une as pessoas, permite aos apreciadores uma visão global do que está sendo produzido, e dá a chance agradável do (re)encontro com os artistas. Meus votos é que a ideia siga em frente, com mais ateliês abertos e a participação do público.

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Publicado às 19 de junho de 2015 por em Opinião e marcado , , , , , .

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