Dando Nota

Rodrigo Alves

O jornal está em tudo

jornal impresso

Publicado no Jornal de Piracicaba em 29 de agosto de 2014
Página 2 do Caderno Cultura

Na última semana, os principais órgãos de imprensa do país iniciaram a divulgação da campanha publicitária da ANJ (Associação Nacional de Jornais) com a chamada em primeira página “quem abre uma notícia, abre um jornal”. A estratégia da entidade, lançada no 10° Congresso Brasileiro de Jornais, surge num momento em que o jornalismo impresso busca o reposicionamento no mercado para cativar a nova geração, cada vez mais conectada nas mídias digitais.

Simulando uma rede social, a campanha abre com a mensagem “tá na capa do jornal de hoje!!! Agora eu acredito”, atribuída a Maria Reininger. A postagem recebe curtidas e comentários. Carla Lira vem com “acabei de ler, amiga” e Rafael Albuquerque com “preciso compartilhar.” No verso da capa promocional, a ANJ lembra que o jornal leva a verdade e está em todo lugar: na primeira notícia lida pela manhã, no post compartilhado por um amigo, nos pageviews, nas hashtags, nos tuítes e no que viraliza.

A campanha da ANJ antecede o Seminário Internacional do INMA (International News Media Association), que debaterá a sobrevivência da plataforma impressa na era digital. Em vez de atacar as novas formas de comunicação, vem como um aviso em letras garrafais: os jornais ainda são importantes. Afinal, mesmo com o passar dos anos, os jornais mantém, entre os princípios básicos, a apuração dos fatos, enquanto as redes sociais tem emissores e emissões duvidosos.

Quem nunca se deparou com os posts “fakes”, abraçados como verdade absoluta na internet? Os setores político e econômico são muito afetados, mas também outras áreas. Na Copa do Mundo, a seleção da Alemanha era aplaudida pela doação do centro de treinamento para crianças pobres da Bahia. Inventaram o Bolsa Prostituta e até a compra de uma fazenda pelo filho do Lula (quando o local tratava-se, na verdade, da Esalq). Os jornais até podem publicar estas notícias, mas para desmentir e repercutir o que a rede social proliferou.

É certo que jornais têm linhas ideológicas e interesses políticos ou empresariais, mas as redações jornalísticas, em especial do impresso, primam pela qualidade. Uma reportagem nasce na reunião de pauta. Há o penoso processo de apuração da informação. O texto, depois de pronto, passa pelo crivo do editor. Se for um furo, é checado e rechecado. A impressão é o processo final. Essa rotina, óbvia para quem é da área, é despercebida do leitor, que recebe produto pronto em suas mãos para folhear. É nesse contexto que se enquadra a campanha da ANJ. A informação precisa de um jornal para ganhar vida, credibilidade e peso.

Nos últimos anos, as especulações sobre o fim da mídia impressa estão nas redações, no meio acadêmico e nas rodas de conversas dos profissionais da área. Pesquisas indicam 2027 como o ano da última circulação no Brasil, após a decadência do produto nos Estados Unidos, dez anos antes. De uns tempos para cá, também são inflamados os discursos de que a internet, os smartphones e os tablets, dinâmicos e interativos, tornaram os impressos ainda mais obsoletos. Mas, contrapondo tais questões, empresas brasileiras de consultoria atestam: o jornal é o meio com maior nível de confiança por 53% população.

Muito desafiado nos últimos tempos, o jornal tem lutado para reconectar-se com a geração digital, numa época em que a informação é consumida cada vez mais. Seu conteúdo, assim como o das revistas e outros produtos, é mais popular do que jamais foi (até entre os mais jovens). Até aqui, tem sobrevivido, coexistido e dialogado, aproveitando o que as novas tecnologias trazem de melhor. Para o público final, importa mesmo é que velhos e novos jornais, centenários como este, com grande ou pequena circulação, em macro e microcidades, mantenham o objetivo final que norteia o bom jornalismo, o de servir o leitor.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Tradutor

Receba notificações de posts por e-mail.

Follow Dando Nota on WordPress.com

Instagram

#piracicaba250anos #PiraParade #Piracicaba250anos Festa na roça #piracicaba250anos Jornalista sendo jornalista até no bar! Eu pagando de tímido e sendo flagrado no Leblon Janelas do Tempo, exposição aberta hoje na Acipi, promovida pela Câmara de Vereadores de Piracicaba, para comemorar os 250 anos da cidade. #piracicaba250anos Como é bom ser criança! Lorenzo empolgado com a coleção de minions! Aquecendo com a #MinhaOSP
%d blogueiros gostam disto: