Dando Nota

Rodrigo Alves

Um importante retrato do golpe militar no interior

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Publicado no Jornal de Piracicaba em 13 de junho de 2014
Caderno Cultura – Página 2

Ao segurar pela primeira vez o livro Piracicaba 1964 – O Golpe Militar no Interior, a sensação foi de estar diante de uma obra que há muito tempo ocupa minha estante. Embora jamais tivesse tocado a publicação, sua capa parecia tão familiar quanto as já guardadas em meu acervo.

Sei que a proximidade se justifica pela admiração a três dos autores: a jornalista Beatriz Vicentini, que conheci na Unimep quando atuava como assessora de imprensa da instituição; Patrícia Polacow, de quem tornei-me amigo no convívio diário no Jornal de Piracicaba; e padre Otto Dana, de quem sou leitor cativo dos artigos neste matutino.

O que mais explicaria a intimidade com O Golpe Militar no Interior? Beatriz Vicentini, ao falar para os mais de 300 presentes no lançamento no Sesc, traduziu meu sentimento. “Pertencimento” foi o termo adotado por ela, ao dizer que cada um deveria se considerar autor da obra. Diante das explicações, intuí que todos, sem exceção, sentiam-se íntimos do livro, pois acompanharam a perseverança dos idealizadores para que ele fosse impresso e chegasse aos leitores de forma exitosa.

É preciso considerar o ineditismo da publicação. Sim, é a primeira na cidade a se concretizar a partir da solidariedade em rede (ou crowdfunding, no termo técnico). Uma campanha iniciada após um estranho “não” e que recebeu a chancela da Editora Unimep. A negativa, diga-se de passagem, só colaborou para que mais pessoas tomassem conhecimento da obra, que em tempo recorde foi abraçada na internet e rapidamente alcançou as mídias nacionais.

De nada adiantaria o apelo da ocasião — os 50 anos do Golpe Militar — e a visível censura às vésperas da publicação, se não houvesse conteúdo no miolo do livro. Os 11 capítulos se entrelaçam e se completam. Neste quesito, é implacável o trabalho de Beatriz, Patrícia e Otto, como também de Caio Albuquerque, Ely Eser Barreto Cesar e Orlando Guimaro Júnior. Desde a última sexta-feira tenho percorrido diariamente as páginas e estou admirado com a qualidade da pesquisa, com os relatos e com a criteriosa composição da galeria de fotos.

Também meritosa é a distribuição dos exemplares em bibliotecas e escolas de ensino médio da cidade, além das principais instituições de ensino superior. Na noite de lançamento, Beatriz Vicentini falou ainda da continuidade da pesquisa para um segundo volume. Escrevi outro dia, neste mesmo espaço, que os 50 anos do Golpe têm função formativa para a minha geração, que precisa ler mais e entender melhor o retrocesso causado pelas censuras, prisões, cassações e torturas.

Minha sugestão aos autores é, agora, colocar exemplares à venda nas principais livrarias e em estantes virtuais para aparelhos como o iPad, Kindle e Kobo. Afinal, a internet foi uma ferramenta eficiente para garantir sua impressão e o formato e-book pode ampliar as possibilidades de acesso ao livro. Há uma parcela considerável da população que já prefere a plataforma digital.

Em tempo: quero parabenizar os músicos Luis Kehl, Fernando Bissan, Fábio Casemiro, Nilo Camargo, Felipe Salvego, Marco Sperl e Iris Rowena pelo pocket show da banda Boris Laobarenko e os Apátridas do Pensamento Hegemônico. Foi de causar arrepios a recepção no Sesc ao som da música Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores, de Geraldo Vandré, e as outras icônicas canções entoadas que remeteram ao período.

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