Dando Nota

Rodrigo Alves

Virada à piracicabana

Publicado no Jornal de Piracicaba em 30 de maio de 2014
Caderno Cultura – Página 2

Ver a cidade movimentada de manhã, à tarde, ao anoitecer e na madrugada é algo que nos habituamos a partir de 2010, quando o Governo do Estado de São Paulo anunciou a Virada Cultural Paulista em terras piracicabanas. Desde a primeira edição, o evento nasceu grande. Primeiro veio com 74 atrações, depois com 90 e, agora, ocupou 22 palcos em mais de 100 opções. Uma festa em constante crescimento e que preza pela qualidade dos shows musicais, teatro, dança, saraus, workshops e intervenções artísticas.

Como espectador da Virada em Piracicaba desde o primeiro momento, sempre ocupei as linhas deste matutino para avaliar a qualidade da programação. É só consultar os arquivos do JP no mês de maio para constatar. Desta vez não seria diferente, pois as minhas 24 horas de sábado para domingo foram preenchidas no Engenho Central, Teatro Erotídes de Campos e outros espaços que abrigaram as atividades nos dias 24 e 25 de maio. Sim, desde a segunda edição também estou no atendimento à imprensa, mas a correria nunca foi empecilho para fazer uma análise mais aprofundada do evento.

Adepto das novas tecnologias, fiquei empolgado ao descobrir que a programação poderia ser consultada nos smartphones. Fiz o download do aplicativo e constatei, novamente, a grandeza de Piracicaba ao ver as opções em cidades maiores. Campinas, mais que o dobro de munícipes, disponibilizou cinco palcos para o evento. Bauru, quase uma cidade-irmã de Piracicaba (pela similaridade na economia e pelo número de habitantes), optou por preencher três espaços culturais. E Santos, também maior, ocupou sete locais.

Sei que o espírito da Virada Cultural não é da concorrência entre as 28 cidades participantes no Estado, mas os números de Piracicaba, com seus 22 palcos, demonstram o empenho da Secretaria Municipal da Ação Cultural em valer a máxima de que os artistas locais devem ser contemplados na programação e não só o que é trazido pela Secretaria de Estado da Cultura. Esta percepção é evidente também com o Sesc da cidade, parceiro desde a primeira edição.

Em especial nas atrações do Engenho Central, há um fator de destaque: os palcos externos 1 e 2. O primeiro, com músicos escolhidos pelo Governo de São Paulo, e o segundo, criado em 2011 para dar maior visibilidade às bandas e aos cantores locais. Com os dois palcos — um em frente ao outro — um grupo termina sua apresentação e outro entra na sequência. Assim o público “vira” de posição e não se dispersa entre a troca de equipamentos musicais. A ideia é tão válida que poderia ser aplicada pela Prefeitura de São Paulo na Virada Cultural realizada na capital uma semana antes. Estive no evento e a maior reclamação por lá foi o tempo de espera, sem música ou qualquer outra atividade em locais como Largo do Arouche, Praça Júlio Prestes, rua Libero Badaró e Estação da Luz.

Este ano pude percorrer, com mais tempo, alguns locais além do Engenho Central, onde fiquei surpreso com a qualidade dos shows de Flávia Bittencourt e O Terno, além das duas atrações com maior púbico: Nação Zumbi e Guilherme Arantes. Deixo meus parabéns ao Quarteto Opus 4, a Lucila Silvestre e ao tenor Antonio Pessotti pela performance no Parque da Rua do Porto. Também foi encantador ouvir Sandra Rodrigues no Mercadão, além de Alê Antunes, Marcelo Nogueira e Wagner Silva no Casarão do Turismo.

Como um grande evento, querido pela população e plural em sua programação, a Virada despertou o desejo de conferir o que aconteceu também nos bairros. Se pudesse, me desdobraria em mil para assistir no Monte Alegre o espetáculo Marias com Marina Henrique e Gabriela Elias, o Hot Club de Piracicaba com Pa Moreno (de quem sou fã de carteirinha), o show Brincadeira Preferida de Bebé Salvego na Casa do Povoador e reassistir o divertido A Noiva do Defunto em frente ao Cemitério da Saudade. Quando a festa termina, fica sempre o desejo de quero mais. E a expectativa de que o próximo ano venha com atrações de peso, contemplando também os artistas da cidade, como acontece nas últimas cinco edições da Virada à piracicabana.

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Publicado às 30 de maio de 2014 por em Opinião, Piracicaba e marcado , , , , , , .

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#piracicaba250anos #PiraParade #Piracicaba250anos Festa na roça #piracicaba250anos Jornalista sendo jornalista até no bar! Eu pagando de tímido e sendo flagrado no Leblon Janelas do Tempo, exposição aberta hoje na Acipi, promovida pela Câmara de Vereadores de Piracicaba, para comemorar os 250 anos da cidade. #piracicaba250anos Como é bom ser criança! Lorenzo empolgado com a coleção de minions! Aquecendo com a #MinhaOSP
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