Dando Nota

Rodrigo Alves

A Virada não teve gosto amargo, ao contrário do que disseram

Foto: Paulo Liebert/ Milenar Imagem

Foto: Paulo Liebert/ Milenar Imagem

Publicado no Jornal de Piracicaba em 23 de maio de 2014
Caderno Cultura – Página 2

Desde a criação da Virada Cultural, um dos meus desejos era desbravar a noite na Pauliceia para prestigiar as atrações. Só conquistei a proeza no fim de semana passado, depois de 10 anos de realização da festa. As principais linhas deste texto seriam ocupadas com o relato das minhas experiências, mas outra abordagem se faz necessária diante da depreciação do evento pela imprensa. A festa deixou os cadernos de Cultura, Diversão e Lazer para ganhar as páginas policiais.

Se você não esteve em São Paulo e acompanhou apenas a cobertura em sites, jornais e pela televisão, deve ter se espantado com os números nos dois dias da Virada. A cidade de 11 milhões de habitantes foi tomada por arrastões, esfaqueamentos e tiroteios. Até São Pedro aderiu ao boicote. Rezamos tanto por chuva que o santo mandou granizo e encurtou a farra.

“Virada termina com sensação de insegurança”, informou a RollingStone. Parece ironia uma manchete como esta num site especializado em música, cuja proposta principal é destacar as performances das bandas por meio de críticas culturais. Posturas semelhantes tiveram Folha de S. Paulo, Estadão, R7, IG, Terra, Brasil247, UOL e G1. Mesmo utilizando a Polícia Militar como fonte, cada veículo apresentou um número para as apreensões no fatídico evento, numa disputa de sangue, suor e lágrimas.

Foi estranho acompanhar a leitura pessimista dos principais veículos de comunicação. O evento que eles cobriram, certamente, não foi o mesmo que eu acompanhei. Tiroteio? Não vi! Facada? Na minha frente ninguém levou! Arrastão? Meus amigos voltaram para suas casas com seus smartphones intactos e com a carteira no bolso.

Quiseram desnutrir a Virada, desqualificá-la, colocá-la no limbo, transformá-la em pó. Ao público, venderam um grande cenário de medo. Não conseguiram. A ideia da Virada em São Paulo é tão meritosa que até foi levada para o interior paulista, que tem acolhido um evento no mesmo formato em 28 cidades. Por aqui também existe o time negativista, que se reveza nas redes sociais e na mídia. Também tentam contaminar o evento, mas os municípios tem realizado a programação sem transtornos nos últimos oito anos.

Depois de percorrer as principais ruas da capital na madrugada, a pé ou de metrô, percebi que a Virada não é apenas um evento para jovens, mas que contempla famílias inteiras com crianças e a participação de quem está na terceira idade. Sua grandiosidade abre as portas para a população celebrar diferentes possibilidades artísticas. Mesmo que seja apenas uma vez por ano, música, teatro, humor e culinária povoam o Centro da maior capital brasileira e possibilitam que o público tenha uma outra relação com a cidade, algo impossível na agitação cotidiana. Como primeiro espectador em 10 anos, arrisco dizer que a Virada Cultural de São Paulo ainda é um sucesso, embora muita gente queira o contrário.

Sempre mantive uma relação ambígua com São Paulo. Ao mesmo tempo que a cidade provoca encantamento, escancara o medo da violência de forma brutal. Sensação de insegurança ela vai causar em qualquer segunda-feira ou domingo, seja após o expediente ou na hora de lazer. É até redundante dizer: São Paulo é uma cidade violenta, como são outras metrópoles. Mas desta vez cansei dos boatos negativos e fui comprovar in loco o que a Pauliceia tinha para oferecer durante a Virada. Gostei do que vi e ouvi. Partilhei de bons momentos, as pessoas estavam felizes e curtindo grandes artistas. Pretendo voltar nos próximos anos e recomendo a experiência.

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Publicado às 23 de maio de 2014 por em Opinião e marcado , , , , , .

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