Dando Nota

Rodrigo Alves

Rumo à era da inteligência coletiva

mapa mental

Por João Carlos Goia*

Semanas atrás tive o privilégio de participar de um evento promovido pelo Centro Universitário Senac SP em Santo Amaro, denominado Diálogos sobre Inteligência Coletiva, palestra proferida pelo filósofo Pierre Lévy, que já foi fonte de pesquisa para meus trabalhos de graduação e mais de pós-graduação, inclusive a dissertação de mestrado.

Lévy dedica sua vida profissional ao entendimento das implicações culturais e cognitivas das tecnologias digitais, com o objetivo de promover melhores usos sociais e estudar o fenômeno da inteligência coletiva. Para o filósofo, inteligência coletiva não é algo que precisa ser criado, mas já existe e pode ser observada no âmbito animal. Basta olharmos para um formigueiro, uma colmeia, uma comunidade de mamíferos como os golfinhos, cardumes, entre outros. A organização, a estratégia coletiva, a inteligência integrada está estabelecida.

A raça humana é especial e difere dos demais grupos, primeiramente pela linguagem estabelecendo níveis de comunicação mais complexos. Outros fatores que diferenciam nossa espécie são: tecnologias à disposição; configurações das inúmeras instituições; interação social e econômica, entre muitos. Tudo isso torna nossa inteligência coletiva mais complexa e poderosa do que qualquer outra, especialmente devido a nossa consciência pessoal, o que uma formiga, por exemplo, não tem.

Não atuamos apenas pelo reflexo de nosso lado animal e a necessidade de preservação. Contamos ainda com a tecnologia a nosso favor, que nos permite administrar a linguagem. Podemos por exemplo, acumular conhecimento numa biblioteca organizando a memória coletiva. Tirando vantagem dos novos recursos midiáticos, conseguimos potencializar nossa inteligência coletiva mais do que na era da imprensa escrita, por exemplo.

Segundo Lévy, trata-se do último estágio do conhecimento algorítmico e estamos apenas no início desse ciclo, que deve perdurar até 2020. O que está a nossa frente é um novo tipo de revolução científica, pois tudo estará disponível de forma digital. Temos e teremos cada vez mais ferramentas e poder para organizar todo o conhecimento disponível, tirando proveito disso em todos os segmentos e setores.

Estamos falando de uma profunda mudança cultural, centrada num salto de desenvolvimento humano. Não estamos falando em criar algo diferente de nossa raça, um cyborg. A inteligência coletiva difere dos preceitos ditados pela inteligência artificial, que busca criar máquinas inteligentes. Nela o intuito são pessoas inteligentes, que consigam extrair o máximo de toda essa tecnologia e informação.

Traduzindo de forma simplista um pouco de toda pesquisa de mais de 20 anos do filósofo, devemos, futuramente, conseguir criar e estabelecer redes de mapas mentais, bem como, redes independentes de pesquisas virtuais, que consigam efetivamente agregar valor e modificar o pensamento e a produção de quem se relaciona por meio delas, afinal, como seria possível garantir a continuidade do desenvolvimento humano se não sabemos como funcionam tais inter-relacionamentos?

Nesse sentido, os metadados irão cada vez mais nos auxiliar a criar as relações necessárias entre esse volume gigantesco de informações que estão espalhadas em toda internet. A partir desse estágio conseguiremos atingir todo potencial possível da inteligência coletiva.

Para nós educadores, fica a difícil tarefa de refletir acerca de quais habilidades poderíamos desenvolver em nossos alunos para prepará-los para esse estágio de evolução. Cito alguns caminhos apontados pelo filósofo: desenvolver habilidades de consciência de rede e seus impactos; ter ciência e atentar para a responsabilidade da memória coletiva pautada na ética e no respeito mútuo, tendo ciência de que, com o arsenal informacional disponível todos temos ampla gama de poderes e responsabilidades, visto que tudo está praticamente a um clique; a necessidade de desenvolver o pensamento crítico, entendendo que tipo de recorte fazemos em nossas narrativas, transformando-se em verdadeiros curadores da web e refletindo sobre a forma como organizar os fatos e quais normas estamos seguindo para tal? Por exemplo, nos damos ao trabalho de checar e apurar as informações, os fatos e as partes, antes de postar algo em nossas redes sociais?

No processo de aprendizagem, precisamos trabalhar arduamente com nossos alunos a capacidade de estabelecerem filtros, não se perdendo nas inutilidades sedutoras e disponíveis na rede. É necessário que entendam, que devem se conectar com fontes valiosas, mantendo seu foco de pesquisa e desenvolvimento, mas sem perder a visão geral do todo.

Se pudesse traduzir todo esse pensamento num esquema, começaria apontando que todo o processo começa de dentro para fora, ou seja, inicialmente, transformamos em coletivo o que é implícito. Na sequência, essa informação torna-se explícita e com as interferências de outros, transforma-se, tornar-se conteúdo coletivo, retornando ao próprio emissor, invertendo assim o processo do explícito para o implícito, visto que acabamos por incorporar o conhecimento gerado, criando um processo cíclico, estabelecendo o aprendizado real baseado na inteligência coletiva.

Espero que a partir desse simples relato, meu conhecimento implícito torne-se explícito e retorne a mim, reconfigurado, redesenhado e agregado de muitos outros saberes. Obrigado a todos por participarem de alguma forma, de minha rede estabelecida (direta ou indireta) de inteligência coletiva. Tiremos o máximo proveito disso.

*João Carlos Goia é gerente do Senac Piracicaba, jornalista pós-graduado em mídias e mestre em educação.

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