Dando Nota

Rodrigo Alves

Traz só uma coisinha para mim?

malas cheias

Publicado no Jornal de Piracicaba em 17 de janeiro de 2014

Basta anunciar uma viagem ao exterior ao seu círculo social para que a enxurrada de encomendas tenha início. Itens de toda sorte, desde os mais caros no mercado brasileiro e que, aparentemente, são mais acessíveis em terras gringas, até vinhos que você encontra com preços tão competitivos quanto no mercado nacional. Nunca pensei que abordaria o assunto num artigo, mas mudei de ideia depois das minhas viagens de férias para Orlando e Miami. O que mais ouvi foi a frase: “Traz só uma coisinha para mim?”

Do iPhone ao perfume, da maquiagem ao notebook, de lente fotográfica aos tênis Nike. Uma lista criativa é formulada na cabeça das pessoas. Além do produto diferente, todos querem tirar proveito da sua viagem para fazer economia. Muitos julgam que encontrarão seu produto do sonho pela metade do preço e se esquecem que o dólar está em alta, da taxa de 10% sobre cada compra e mais a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) na troca das moedas.

É provável que o pedido venha do seu amigo de infância, mas prepare-se também para receber um e-mail do parente em quarto grau, um telefonema do colega de trabalho do departamento ao lado e um SMS do vizinho do andar de cima. Não estranhe se até a nova namorada do seu primo pedir para lhe adicionar no Facebook. Ao aceitar a amizade, verá que a intenção é pedir perfumes importados.

No meu caso, as abordagens surgiram três meses antes da viagem. Com delicadeza, expus meus argumentos. Já estava com um único item eletrônico em mente, que se enquadrava no limite de 500 dólares estabelecido pela Receita Federal. Também apresentei detalhes sobre as minhas férias, mais direcionadas ao circuito turístico de um marinheiro de primeira viagem e sem a neura de pensar em muitas compras (mesmo estando no paraíso das compras).

Mas até durante o passeio, muita gente fez pedidos. Uns chamaram pelas redes sociais, outros via e-mail. O problema – e isso acontece com boa parte dos turistas – é que você viaja somente com o dinheiro necessário e caso faça compras no cartão de crédito, corre o risco de a moeda valorizar até o fechamento da fatura e a compra sair mais cara que o valor esperado.

A primeira e última vez que fiz uma encomenda foi em 2011. Minha irmã esteve na Disney e, na época, a febre era a primeira versão do iPad. Pedi o modelo com conexão wi-fi e 32 gigas de memória. Resultado: como não encontrou o exemplar, trouxe um inferior e com a metade da capacidade. Fiz cara feia ao receber o produto. Descobri, depois, que ela abriu mão de um dia nos parques, deslocou-se até a área de compras (a Disney não vende iPad) e desembolsou 100 dólares do próprio bolso.

Muitas pessoas não notam, mas uma simples encomenda pode trazer vários incômodos. É preciso interromper seu roteiro para se dedicar à busca do produto. Pode ser que esteja mais caro, como aconteceu com a minha irmã, ou ainda que o destino esteja fora da sua rota. Também há temporadas – como dezembro e janeiro – em que as filas são terríveis e leva-se pelo menos 40 minutos para chegar ao caixa (sem exagero!).

Sou adepto da máxima “quem compra, leva”. Logo, aceitar uma encomenda representa carregar o acessório para lá e para cá e, depois, fazê-lo caber nas malas. Há limite de peso para itens despacháveis, há produtos que não podem ser transportados na bagagem de mão e aqueles que correm o risco de “enroscar” na alfândega. A regra vale para as encomendas que parecem fáceis, como os ursinhos da Disney (sim, teve gente que pediu!).

Conversando com amigos que fizeram os mesmos roteiros turísticos, percebi que todos passaram por situações parecidas. Os que aceitaram encomendas, colecionam histórias amargas e aprenderam quebrando a cara. Dizer “não” para as encomendas é um ato embaraçoso, principalmente para as pessoas próximas. Mas é um gesto que evita chateações para os dois lados, poupa expectativas de quem encomendou e torna a viagem mais agradável para quem, afinal, quer apenas curtir as merecidas férias.

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Publicado às 17 de janeiro de 2014 por em Curiosidades e marcado , , , , , , , .

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#piracicaba250anos #piracicaba250anos #PiraParade #Piracicaba250anos Festa na roça #piracicaba250anos Jornalista sendo jornalista até no bar! Eu pagando de tímido e sendo flagrado no Leblon Janelas do Tempo, exposição aberta hoje na Acipi, promovida pela Câmara de Vereadores de Piracicaba, para comemorar os 250 anos da cidade. #piracicaba250anos Como é bom ser criança! Lorenzo empolgado com a coleção de minions!
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