Dando Nota

Rodrigo Alves

Não levemos o Lulu tão a sério

lulu

Publicado no Jornal de Piracicaba em 6 de dezembro de 2013

Alguns amigos do sexo masculino estão incomodados com o desempenho no Lulu, aplicativo que vive seu boom desde a semana passada e que permite às mulheres avaliar homens no Facebook em itens como “aparência”, “sexo” e “educação”. Quando perguntando sobre o assunto, minha resposta é taxativa: a ferramenta virtual não merece tanto Ibope!

Entrei no app embalado pelo impulso das redes sociais. Depois de ler um artigo no New York Times, baixei o aplicativo e, em poucos minutos, já estava entediado com a imbecilidade. Não contente, pedi o celular emprestado para uma amiga, já que existem funcionalidades extras “só para garotas”.

Minutos depois, mantive meu ponto de vista, que pode soar como conservador: o Lulu é muito bobo. O nível das discussões nas hashtags em nada acrescenta. E duvido que qualquer expressão fabricada possa desfazer um encontro. Dito isso, resta a pergunta: devemos dar atenção para a ferramenta? Da minha parte, já desinstalei o aplicativo e levanto a bandeira de que o Lulu, caindo no pleonasmo, já “nasce morto” e não terá vinda longa.

A discussão sobre o assunto me fez lembrar que, há seis meses, a juventude brasileira estava engajada, confeccionou cartazes, pintou a cara e saiu às ruas proclamando: “O Gigante Acordou!”. Em tempos recentes, a mesma internet foi tomada por correntes indignadas com o transporte de cocaína num helicóptero pertencente a um deputado e com a prisão dos mensaleiros.

Daí, homens e mulheres esquecem tudo e descobrem um “aplicativozinho” que reduz as pessoas a produto, um mero serviço. O cara é galinha? Que tal #MaisBaratoQueUmPãoNaChapa? Tem maus hábitos? Então taque logo #ArrotaePeida! É do tipo que faz muitas brincadeiras? Provavelmente, sua hashtag é bebezão! Foi bom de cama? É um #ChristianGrey!

Para um país que empurra com a barriga a discussão sobre o Marco Civil da Internet desde 2009 e que luta para driblar com diplomacia o esquema americano de espionagem ao governo brasileiro, não é de se estranhar que seja colocada em segundo plano a discussão sobre a invasão de privacidade que o aplicativo faz dos perfis masculinos.

Ainda que especialistas definam o impacto das difamações como “imensuráveis” para um homem, estou mais preocupado com a “resposta brasileira”: a de criar um aplicativo semelhante, o Tubby, para que o sexo masculino possa revidar, à seu modo, as provocações com o Lulu. Isso é se rebaixar ao extremo. É tratar homens e mulheres como objetos.

Não ligo para avaliações do Lulu e do possível Tubby, porque os “Luluzinhas” e “Luluzinhos” sempre existiram e continuam espalhados por aí, com nomes e apelidos distintos. São pessoas que medem o sujeito dos pés à cabeça, que só ligam para grifes, que analisam a bandeira do cartão de crédito ou valor do carro. Esses Lulus – de ambos os sexos – não valorizam o contato pessoal, o olho no olho, os sentimentos, as boas relações. Agora, alimentam a rede social com suas notas. Gente normal sabe que é só deixa-los de lado, chupando o dedo na balada, com o smartphone na mão e seus mundos superficiais de hashtags.

Um comentário em “Não levemos o Lulu tão a sério

  1. Ana Marly de Oliveira Jacobino
    6 de dezembro de 2013

    Eita Menino…adorei o seu escrito…Luluzinha, jamais! Conheci o meu amado da forma antiga…olhos nos olhos… tão bom!Ana Marly

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Publicado às 6 de dezembro de 2013 por em Curiosidades e marcado , , , , .

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