Dando Nota

Rodrigo Alves

Hoje é dia de rock, bebê!

Beyonce and Destiny's Child perform during the half-time show of NFL Super Bowl XLVII football game in New Orleans

O segundo fim de semana da maior maratona musical do país, o Rock in Rio, voltou ontem (19) para cessar os boatos de que o festival não faz jus ao nome de batismo. Alegria para os apreciadores de Metallica, Sepultura e Alice in Chains que bradaram como rottweilers a presença de Beyoncé, David Guetta e Justin Timberlake. Mas por que esses “seres estranhos” da pop music incomodam tanto?

É certo que em 1985, quando o evento nasceu, figurões de diferentes vertentes roqueiras coroaram a estreia. Queen, Iron Maiden, AC/DC e Ozzy Osbourne contribuíram para imprimir o título de maior festival de rock and roll do mundo. Mas passados 28 anos de sua criação e com 13 edições no currículo, a programação correu a boca alheia, sob o argumento de ter sido prostituída e desvinculada de suas raízes, em detrimento à música de “má qualidade”.

Se esta edição recebe críticas pesadas em virtude da veia popularesca (registrando até nomes do axé entre as atrações), isso é algo que começou a se agravar em 2011, quando foram escaladas Katy Perry, Rihanna, Kesha, Cláudia Leitte e Ivete Sangalo. “A droga é a própria música”, era o lema dos críticos daquela safra, que ainda ecoa nos dias atuais.

Com 14 horas de shows em cada um dos sete dias, o Rock in Rio não poderia ser diferente. Ainda que os amigos metaleiros reclamem — e os espectadores pela redes sociais protestem “cadê o rock?” — foi lendo uma entrevista na Folha de São Paulo com o criador do festival, Roberto Medina, que compreendi melhor os argumentos para o formato adotado hoje.

Como bom publicitário, Medina preocupou-se em realizar pesquisas de opinião para saber quais seriam os nomes do mainstream musical a constar na line-up. Depois, tapou os ouvidos e foi atrás de montar a estrutura da Cidade do Rock para englobar diferentes tribos. Daí surgiram os palcos principais (Mundo e Sunset) e os secundários, dedicados à música eletrônica, à música popular e às populares batalhas de rua.

Em meio a esta vibe agradável que o festival proporciona ao Brasil, com valor de ingresso relativamente razoável, é muito chato ouvir ou ler as reclamações sobre os shows de Elba Ramalho, Jessie J, Olodum, Mallu Magalhães ou qualquer outra estrela que não pertença ao rock. São argumentos chatos, irrelevantes e preconceituosos!

Parte desse pessoal resmungão sofre de um mal tipicamente brasileiro, a dor de cotovelo. É a pessoa que, no fundo, queria estar entre os 600 mil “afortunados” pagantes, que se abstiveram da rotina profissional para curtir um festival com estrutura digna de primeiro mundo.

Aos reclamantes de senso comum, falta bom senso. O Rock in Rio, como um vasto festival, deve contemplar vários gêneros musicais, do contrário ficaria relegado ao título de festa alternativa e, portanto, restrita a determinadas tribos. Em resumo, se houvesse apenas rock, a repercussão seria menor, como também a presença do público.

O Rock in Rio tem como mérito a projeção do nome brasileiro em outros países, como é o caso de Lisboa e Madrid, que sediaram, juntas, oito edições, número maior que o próprio Rio de Janeiro, palco de cinco montagens. Também se mostra com uma fórmula eficiente, diante de um mercado que provou, em tempos recentes, o encalhe nas apresentações e a apatia do público para grandes turnês (Madonna e Lady Gaga que o digam com seus ingressos em liquidação).

Nestes dias de “rock não tão rock”, o bordão criado pela descontraída atriz Christiane Torloni parece ser a resposta mais original aos amargos com o Rock in Rio. Quanto encontro um ranzinza por aí, dou risadas, levo na esportiva e digo sem pestanejar: “Hoje é dia de rock, bebê!”

Publicado em 20 de setembro no caderno Cultura do Jornal de Piracicaba

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