Dando Nota

Rodrigo Alves

O jeito de ser do Andaime Teatro

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Publicado em 12 de julho de 2012 na página 2 do caderno Cultura do Jornal de Piracicaba

Ilustração de Erasmo Spadotto

Ao completar 25 anos de estrada, o Andaime Teatro iniciou, em 2011, as comemorações de suas bodas de prata. Em 30 de junho, portanto dois anos mais tarde, lançou o livro Um Jeito de Ser, escrito por Alexandre Mate. Obra que fecha o ‘ciclo’ de uma história à altura do grupo, que podemos dizer com orgulho, nasceu em terras piracicabanas e ganhou credibilidade pelas praças, ruas, centros comunitários e palcos em vários estados brasileiros e no exterior.

Tive acesso ao boneco do livro antes do lançamento, gentilmente cedido por Antônio Chapéu, um dos fundadores do Andaime ao lado de Carlos Jerônimo. Em meados da década de 80, o grupo universitário funcionou como válvula de escape aos estudantes da Unimep, que aproveitaram da linguagem teatral para expor suas indignações sobre a conturbada conjuntura nacional, proposta abraçada pela instituição, com uma forte linha político-ideológica.

Acertada foi escolha do Andaime ao convidar Alexandre Mate para assinar a obra. Doutor em história social e professor do Instituto de Artes da Unesp, Mate é um gabaritado nome no que tange o aspecto crítico e acadêmico das artes cênicas. Quem é de Piracicaba sabe do que estou falando, pois Mate atuou no Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba) como membro debatedor nos últimos três anos.

No processo de pesquisa, o autor explorou distintas fontes documentais e reuniu pontos de vista diversos. Fez questão do contato direto com a dupla Chapéu e Jerônimo em quatro ocasiões no decorrer de 2011. De posse de um rico material bruto, o autor lapidou as palavras, condensou as principais realizações do grupo e entregou uma publicação de leitura prazerosa, da primeira à última página.

Mate não deixa de contextualizar o leitor sobre conturbados fatos econômicos e políticos das décadas de 70 e 80, como a Ditadura Militar, crise do petróleo, dívida externa e economia global. É a partir desse contexto, somado a acontecimentos políticos intensos na cidade, que o teatro universitário da Unimep ganhou força, a exemplo da participação dos estudantes-atores na passeata pelas Diretas Já!

O leitor tem sua memória reavivada e obtém, com uma riqueza de detalhes, como se deu o processo de criação dos espetáculos e os caminhos que levaram o grupo a se tornar uma espécie de porta-voz da cultura caipiracicabana, com espetáculos que cantaram e aclamaram o modo de viver do interior. Longe de trazer uma ‘formula de sucesso’, descobrimos que o caminho foi a troca provocada pelo encontro com o público.

Para quem é cadeira cativa do Andaime, a obra possibilita maior intimidade com as montagens de sucesso: Lugar Onde O Peixe Para, construída para marcar a primeira década de existência; Nonoberto, Nonemorto, sobre a cultura tirolesa tão bem enraizada em nosso município; As Patacoadas de Cornélio Pires, que encanta olhos e ouvidos com seus atores-músicos, e A Noiva do Defunto, espetáculo que provoca o riso frouxo por meio da simplicidade das cenas e diálogos.

Ao tecer os capítulos, Mate nos mostra ainda que nem tudo foram flores na trajetória do grupo. Ele cita a crise vivida pelos integrantes do Andaime com o insucesso de Comovento, que sofreu com a falta de compreensão da plateia e que provocou o desgaste do grupo, por três anos sem pesquisa e montagem após o triste incidente.

O livro é um presente à classe teatral, aos grupos iniciantes, aos fazedores e apreciadores da cultura. Certamente, os cumpadis Nhô Jeromo e Nhô Chapé ainda beberão de outras fontes e terão muito o que contar, cantar e narrar nos mais diferentes palcos da vida. O meu desejo é ter, como mortal espectador, a sorte de estar na plateia do Andaime pelos próximos 25 anos!

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