Dando Nota

Rodrigo Alves

Quando a saia deixa de ser justa

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Debates acalorados, discussões inteligentes e bom humor fazem parte do Saia Justa, exibido pelo GNT desde 2002. Uma das características do programa é a renovação das apresentadoras, que na versão 2013 traz Astrid Fontenelle, Barbara Gancia, Mônica Martelli e Maria Ribeiro. Julgando pelo desempenho do novo elenco até a última edição, a emissora corre risco de perder seus fieis espectadores, algo muito ruim para o produto de maior audiência do canal.

O formato do Saia Justa é simples. Nomes predominantemente conhecidos do grande público, a maioria atrizes de destaque da própria Globo, são convidados a compor o elenco e dar suas opiniões sobre questões variadas, assuntos que ganharam repercussão na semana. Assim aconteceu com Maria Fernanda Cândido, Betty Lago, Maitê Proença, Luana Piovani, e mais algumas figuras da política e da música que sentaram no sofá em edições passadas. Até aí, a fórmula é sem segredos, mas uma simples peça fora do quebra-cabeça é identificada pelo público.

A troca de Mônica Waldvogel por Astrid Fontenelle na ancoragem é a mudança mais sentida. Mônica era a identidade do Saia Justa, comandava o elenco e a pauta com maestria. Astrid, mesmo com ampla experiência em TV, não assumiu as rédeas da situação, não tem pulso para controlar tantos estrogênios em cena. Uma artista que sozinha vai bem, mas com o coletivo, decepciona, como podemos ver com o ótimo Chegadas e Partidas sob seu comando.

Para televisão, o Saia Justa é longo, tem uma hora de duração, entre cinco blocos e intervalos. A título de comparação, as TVs por assinatura utilizam hoje os “programetes”, com 15 minutos apenas. O próprio Jornal Nacional, maior atração aberta da rede global, ocupa 45 minutos na grade diária incluindo os comerciais. Até a temporada passada, a experiência de Mônica Waldvoguel na condução dos debates fazia o espectador se prender ao Saia Justa do começo ao fim, sem sentir a tensão dos 60 minutos, algo raro numa época em que as pessoas se desligam e se desconectam com facilidade.

Falta pausa ao novo Saia Justa. A sensação é de extremo sufocamento. É falação demais, conversa de comadre, uma atropelando a outra. Quando o programa é encerrado, as ideias permanecem inconclusas. Diante das constantes interrupções, o público percebe caras feias de uma apresentadora para a outra, parecem se esquecer que as câmeras estão ao redor. No começo tiveram até “patadas” entre Maria Ribeiro e Barbara Gancia. Meninas, sintam-se numa mesa de bar, sorriam e sigam o conselho de Marta Suplicy, relaxem…

A pauta do Saia Justa também precisa ser aprimorada. As discussões estão comuns demais, já exploradas por outros programas com formatos diferentes. Até agora, vimos apenas debates sobre casamento, ditadura da beleza, dilemas do regime, estresse, voyeurismo e ativismo da internet. Nada de novo, salvo pelo episódio da polêmica sobre o pastor deputado Marcos Feliciano na Comissão de Direitos Humanos. Mas o trunfo, nesse caso, foi do parlamentar Jean Wyllys, convidado especial para aquela edição.

Causa estranheza a desistência do elenco masculino, ideia adotada na temporada 2012 com o revezamento de Dan Stulbach, Eduardo Moscovis, Jéo Jaime e o divertidíssimo Xico Sá. A opinião carregada de testosterona caía bem ao programa, era um ponto de equilíbrio, além de atrair uma parcela do público masculino para a audiência. Os rapazes tiveram bons desempenhos, a ponto de uma edição de Verão ter sido feita exclusivamente com o elenco masculino.

Receoso em ser precipitado, aguardei seis edições para formar a minha posição e não julgar o produto apenas pelo desempenho da estreia. As garotas do Saia Justa têm potencial e repertório de sobra para melhorar o astral, elevar o nível da conversa, mas ainda não mostraram a que vieram e nem onde querem chegar. A saia precisa ficar um pouco mais justa.

Publicado no caderno Cultura do Jornal de Piracicaba em 12 de abril de 2013

2 comentários em “Quando a saia deixa de ser justa

  1. Cida
    17 de abril de 2013

    Faço minhas as palavras do Rodrigo… Muita falação sem direção… Qdo o programa acaba, as idéias permanecem inclonclusas… Parei de ver o programa depois de muitos anos. Pensei que fosse só eu…

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  2. Tereza Santos
    12 de abril de 2013

    Rodrigo, concordo inteiramente com tudo o que você disse. O pretexto para tirarem Mônica Waldvogel foi o de que o programa seria reinventado, mas onde está essa reinvenção? O formato continua exatamente o mesmo, repetindo temas já debatidos à exaustão quando o programa estava sob a ancoragem da competente Mônica.

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