Dando Nota

Rodrigo Alves

Rosângela Camolese: uma mulher que rompeu barreiras

Durante a entrevista ao blog Dando Nota, na sede da Ação Cultural. Foto: Rafael Bitencourt

Durante a entrevista ao blog Dando Nota, na sede da Ação Cultural | Foto de Rafael Bitencourt

A partir de abril, Rosângela Camolese deve deixar a Secretaria da Ação Cultural. Há sete anos na pasta, ela pode se descompatibilizar do cargo no Executivo para assumir sua vaga na Câmara de Vereadores. Rô, como carinhosamente é chamada, obteve 2.853 votos nas eleições municipais de 2008, mas declinou da vereança para retomar a pasta da Cultura, um pedido especial do prefeito Barjas Negri. Filiada ao PSDB desde 1992, ela espera a decisão do partido para lançar-se novamente ao pleito eleitoral. Alçará voos maiores, tentando o cargo máximo de prefeita? Faria composição numa possível chapa a vice? Ou seria novamente vereadora? Para estas questões, a piracicabana conhecida pelo pulso firme não possui respostas, mas seguirá as determinações da lei, que estabelece o afastamento seis meses antes das eleições municipais, este ano marcadas para 7 de outubro. Rô prefere esperar, mostra-se disponível e leal para com a legenda e com o chefe do Executivo. Dois dias depois da inauguração do Teatro Erotídes de Campos, o Teatro do Engenho, Rosângela recebeu este repórter que vos escreve para esta longa entrevista inédita, divida em três blocos: futuro político, gestão cultural e avanços na Cultura.

FUTURO NA POLÍTICA

No meio político, já é certo o seu pedido de afastamento do cargo da Ação Cultural. Isso vai acontecer? A partir de quando?
Eu acredito que sim, estou aguardando o último pedido do prefeito Barjas Negri. Terei que me descompatibilizar até 6 de abril para ser candidata a vereadora.

Mas lançar-se a vereadora novamente?
Sou uma pessoa extremamente leal ao prefeito Barjas, muito grata por ter me dado a oportunidade de mostrar o que poderia fazer pela Cultura da cidade. Estou à serviço do partido, leal ao Barjas. Se ele e o partido acham que sou mais necessária nesse momento na Câmara de Vereadores, eu vou. Tenho facilidade de oratória, eles estão precisando da minha pessoa neste momento, tem vários projetos a serem aprovados até dezembro. E estou à disposição.

E se esta for a vontade do prefeito, vai acatar.
Existe uma diferença entre lealdade e fidelidade. Lealdade é algo que você fala sim, mas argumenta. Fidelidade é algo canino, faço, chamam, eu vou. Lógico que eu argumento, mas acato. Por que eu sei que se eles enxergam em mim uma pessoa eclética, alguém que pode ser bom aqui, ali e ali.

No ano passado, quando o prefeito soltou uma ‘lista’ de prováveis candidatos, incluiu o seu nome. Acredita que ainda possa ser a escolha dele ou do partido?
Na política tudo pode mudar. Hoje é João, amanhã pode ser Maria (risos). Eu me descompatibilizo a favor do partido e a favor de Piracicaba. Estou à serviço do povo. Se hoje eu não sou a melhor candidata, é o João, então eu acato e dou o melhor de mim. Amanhã pode não ser o João, mas pode ser a Maria.

Na política as coisas mudam da noite para o dia…
Eu vi muita gente dormir papa e acordar coroinha (risos). Para estar no cargo público, você tem que gostar da cidade, ter ânimo. Acredito nisso. O que me moveu estar aqui na Secretaria é que eu adoro cultura. O que me move na política é que adoro desafios. Seja para onde for, mesmo que não saiba nada sobre aquilo, vou estudar para dar o melhor de mim. É meu ímpeto, está dentro da minha alma. O meu perfil é o de estadista, quem me conhece de perto sabe disso.

Você acha que ainda dá para fazer alguma coisa como vereadora nesse curto período?
Dá (risos)! Eu me conheço! É até importante para eu ganhar experiência, porque eu fiquei só um dia na Câmara até hoje. Por isso vou com muita felicidade. Se eu realmente for para lá, dizem das limitações que a Câmara tem, logicamente, ela é legislativa. Diferente daqui, eu executo, tenho autonomia para fazer o que acho importante para o município, tem a conversa com a equipe, mas eu tenho o poder na mão. Lá será mais engessado, digamos assim. Então não sei como irei me comportar, sou uma pessoa muito ativa, dinâmica, guerreira, gosto de estar sempre trabalhando, enfrentando.

Na sua primeira campanha como vereadora, em 2004, conquistou 948 votos. Quatro anos depois foram 2.853 votos. Mas quem votou em você não se frustrou ao vê-la se afastando do cargo na Câmara para voltar à Ação Cultural?
Já encontrei várias pessoas que dizem ter votado em mim e que se frustraram. Mas reencontrei com estas mesmas pessoas, elas disseram: ‘Agora entendo porque o prefeito Barjas trouxe você de volta para a Cultura. Só esse Teatro e o desenvolvimento dentro do Engenho valeu o voto que dei em você.’ Isso já me deu um consolo.

O trabalho seria agora reconquistar essas pessoas.
Mas é lógico: há perdas, eu sei disso. Mas o que me trouxe à Ação Cultural foi a lealdade ao prefeito Barjas e ao partido. Se as pessoas não puderem entender isso, infelizmente vão deixar de votar em mim. Se você rememorar na história, houve no passado muitas traições de vereadores e secretários. E eu não traí, pelo contrário. Depositei a minha lealdade em detrimento à minha ida para a Câmara em 2009. Pode ser que eu não recupere todas as pessoas, entendo isso. Fui muito mais útil nesse grande momento de desenvolvimento do que se estivesse na Câmara.

Na inauguração do Teatro Erotídes de Campos.   Foto: Rodrigo Alves

Na inauguração do Teatro Erotídes de Campos, esta semana Foto de Rodrigo Alves

GESTÃO CULTURAL

Quem você indicaria ao prefeito Barjas para ficar no seu lugar?
Isso é importante… Na verdade eu gostaria de não indicar ninguém. Se ele me pedisse, diria: ‘Prefeito, isso é critério do senhor.’ É uma dura tarefa, não por me suceder, mas qualquer pessoa que você indique para qualquer cargo hoje em dia, pode agradar ou não.

Quais características devem ter um gestor para ocupar a Secretaria da Ação Cultural?
Primeiro: tem que gostar da cidade. Tem que gostar de povo (pausa). As questões públicas mudaram. Qualquer pessoa que esteja num cargo, tem que entender de inclusão social. Tem que ser gente do povo. Se não entender isso, fica difícil. E, terceiro, mais escutar do que falar, principalmente na fase inicial.

Precisa atender aos anseios da classe artística…
As pessoas que vierem também serão cobradas e espero que tenham compromisso. E que exista a cobrança das pessoas ligadas à Cultura, que cobrem a manutenção do que foi reconstruído ou construído e também novas conquistas, porque a cidade continua crescendo. Para se ter cultura de qualidade, entretenimento e lazer, a cobrança deve ser constante. Se alguém vier no meu lugar com novas ideias, com vontade de crescer e fazer aquilo que não fiz, irei aplaudir. É algo de espírito meu. Agora se vier para derrubar o que foi feito e não crescer, eu serei uma fiscal. Não é questão pessoal, é pensar no coletivo.

Para realizar um trabalho de excelência num órgão público é preciso ter também uma boa equipe de trabalho…
A gente está de passagem, os funcionários ficam. Quando eu entrei aqui, tinha metade de funcionários. Acredito que a própria equipe tem mais segurança dentro desses desafios que nós colocamos. Inclusive estão sentidos com a minha saída. Por mais que eu seja uma pessoa que cobre, que fique em cima, eles gostam, sabem que é bem feito e precisam de uma pessoa de pulso. Até dizem que sou a líder que sempre desejaram. Falam isso direto aqui. Eu me sinto bastante feliz e lisonjeada.

Uma conquista que faz parte de todas as secretarias, mas que envolve diretamente a Cultura, é o processo dos precatórios do Parque do Engenho Central.
O Engenho hoje é de fato e de direito nosso. Isso se deve ao empenho do prefeito Barjas, que colocou a mão no problema e resolveu. Gostem ou não, o prefeito é uma pessoa astuta, inteligente e dinâmica. Conhecia o caminho das pedras para tentar resolver não só esse, como outros problemas. Desapropriar é fácil, pagar é difícil. A gente não desmerece os outros governantes que passaram, é óbvio que quiseram pagar, mas por uma ou outra circunstância não conseguiram.

É um cartão postal da cidade, que além de ser muito visitado, é também ponto tradicional entre os próprios piracicabanos…
Fizemos a nossa parte: começamos pelo Armazém 14, que fica o Salão de Humor, o Armazém Eugênio Nardim, ao lado da Passarela Pênsil, onde está uma área administrativa da Secretaria e ficou um espaço agradável para exposições de artistas plásticos e fotógrafos… O Engenho é um patrimônio tombado em estância municipal, está em andamento pelo Condephaat, que é estadual, e pelo Iphan, que é federal. Lembrando que por conta do Museu do Açúcar, a equipe que veio fazer a pesquisa de campo viu que aqui é um sítio arqueológico. Logo, estamos salvaguardados em estância federal. Mas o povo piracicabano precisa ser uma sentinela desse espaço, cobrar pela política de manutenção. A gente está melhorando o Engenho para que ele seja um local de visitação e não só de contemplação.

Em março de 2011, com Lauro Pinotti e Tô Mendes. Foto: Ivana Marisa Altafin/agendaculturalpiracicabana.blogspot.com

Em março de 2011, com os diretores Lauro Pinotti e Tô Mendes | Foto de Ivana Marisa Altafin | http://www.agendaculturalpiracicabana.blogspot.com

Em 2008, quando você encerrou sua primeira gestão na Ação Cultural, tinha um Orçamento de quase R$ 6 milhões. Hoje, ele ultrapassa os R$ 12 milhões. Esse fato você destacou na inauguração do Teatro do Engenho, dizendo que o prefeito olhou a cultura com ‘bons olhos’. O aumento no Orçamento não estaria ligado apenas à maior arrecadação da Prefeitura?
É uma junção de vários fatores. Melhorando a economia e a arrecadação, você tem como melhorar também as secretarias que lidam com o desenvolvimento social: Turismo, Cultura, Educação, o próprio Desenvolvimento Social. E foi isso o que o Barjas fez. Olhou com carinho todas essas pastas. Pelo que diz a lei, 25% vai para a Educação, 15% para a Saúde. E aí os prefeitos vão lá e colocam um pouquinho para a Cultura e para o Turismo. O Barjas percebeu que algumas secretarias poderiam trazer desenvolvimento intelectual para o município. E foi o que me chamou a atenção para este desafio. Por que é muito difícil você aceitar ser secretario se não tem um líder que comungue com a filosofia sua. E minha filosofia é a do desenvolvimento intelectual. Habilmente, o prefeito Barjas ia sentando comigo, e eu indicava onde queria atuar. Eu fui fazendo um movimento para aumentar a arrecadação. Veja o Fundo de Apoio à Cultura: antes o teto era R$ 20 mil, hoje ele está com R$ 200 mil.

AVANÇOS NA CULTURA

A realidade da Cultura na cidade mudou muito nesses sete anos?
Eram seis casas para cuidar na Cultura, quatro em funcionamento e duas fechadas. A Biblioteca dividindo com a Câmara de Vereadores. O Museu Prudente de Moraes, que era do Estado. Hoje, se você contabilizar todos os centros culturais que abrimos, as bibliotecas municipais em bairros, o Museu que veio para a gente, e o Centro de Documentação, Cultura e Política Negra, temos 19 lugares de Cultura. Isso tudo é fruto de trabalho de equipe, então você precisa sempre escutar quem está aqui. E, tecnicamente, entender o mínimo de Cultura, gostar, estar presente. Cultura funciona assim: você monta o evento e tem de estar presente cheiroso, bonito e gostoso (risos) para ser o hostess da noite. A população espera pelo secretario. Eu, nesses anos, sempre que possível, me fiz presente. Mas porque eu gosto, faço por amor, me faz bem, me faz sentir integrante do que está acontecendo. Fui uma secretaria tecnicamente preparada, mas que gosta de Cultura e gosta do povo.

Deve estar com a sensação de dever cumprido, após a inauguração do Teatro do Engenho na última terça-feira?
Esta era uma das grandes metas do nosso governo. Na primeira gestão tínhamos pouca experiência e fomos tateando algumas coisas bem no início, mas já pegando corpo, sentindo como era a Secretaria. Para caminhar junto ao progresso de Piracicaba, tivemos que desbravar algumas ações. Não só o Teatro Erotídes de Campos, mas todos os departamentos foram reconduzidos a contento. Isso me dá uma sensação de dever cumprido e a realização como pessoa.

Como você avalia a chegada do novo teatro, há tempos um anseio da população?
O Teatro Erotídes é uma grande conquista. Primeiro porque está no coração da cidade, o Engenho Central. Foi concebido ao estilo elizabetano para ser mais intimista, para que as pessoas vejam o maquinário aparecendo. Nada muito suntuoso. Bonito, confortável, moderno, mas algo que tivesse a cara do Engenho, sem desmerecer as características originais. As pessoas às vezes não entendem porque uma parte está com carpete e outra está com cimento queimado. Foi a concepção para, inclusive, ajudar na acústica. A intenção é que ele tenha no futuro um Cine Arte, que era o que se fazia no Cine Grande Otelo. A população esperou, teve paciência, mas o dinheiro foi bem empregado. E o que é mais importante: esse teatro é do povo piracicabano.

Em outubro de 2010, no Salãozinho de Humor. Foto: blog do Salão

Em outubro de 2010, com as crianças no Salãozinho de Humor | Foto: blog do Salão

Na área externa ao Teatro, onde foi montada uma estrutura de projeção de imagem e som, aconteceram algumas manifestações, seja por causa das falhas na transmissão, ou daqueles que não poderem entrar. Até mesmo o Marcelo Batuíra, diretor do Jornal de Piracicaba, assina um editorial no JP desta quinta-feira (29/03) classificando a abertura com ‘graves falhas’. O que você tem a dizer sobre essas questões?
Eu queria ser um mosquitinho em 1978, quando abriu o Teatro Losso Netto, para saber se tinha duas mil pessoas querendo entrar e o lugar só comportava 600 lugares. Como eles fizeram, se não existia telão na época? É a pergunta que eu faço para o seu blog. Todo mundo queria estar lá dentro do Teatro Erotídes de Campos, mas não tínhamos condições, até porque são 422 lugares. Pensamos nessa estrutura externa com 600 lugares e dois telões para acolher a população. A equipe foi capacitada, mas está ficando mais íntima dos equipamentos, a gente pede um pouco de paciência para a população.

Na sua gestão ganharam vida algumas iniciativas importantes, como a Cedan (Cia. Estável de Dança), o Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba), o Piradança (Festival Nacional de Dança), o Festival de Música Erudita e o Enacopi (Encontro Nacional de Corais).
Por onde você quer que eu comece… é longo (risos!). Tudo isso implantamos com a ajuda do grupo de artistas e pessoas ligadas aos organismos de Cultura, que vieram até mim e manifestaram seus anseios. Analisamos se existia demanda, possibilidade orçamentária para continuar.

É o famoso ditado: ‘não dar passos maiores que as pernas…’
Sempre falei para a equipe de trabalho que é preferível falar um não bem falado e explicar os motivos, do que de falar sim, fazer uma vez e acabar. Creio que seja isso também o que garantiu minha credibilidade com a classe artística. Sempre me preocupei com a rubrica orçamentária dessas ações culturais, em regulamentá-las por meio das leis. Foram 83 mudanças de leis: os prêmios para cada segmento, o Salão de Humor (com o conselho consultivo e o Troféu Zélio), o Salão de Arte Contemporânea, o Salão de Belas Artes, o Prêmio Escriba. Eu saio, vem outra pessoa, e ela tem que continuar. E nesse sentido eu serei fiscal.

Tivemos a chegada dos centros culturais nos bairros da cidade e o novo prédio da Biblioteca Ricardo Arruda de Ferraz Pinto. Além disso, aconteceram intervenções na Estação da Paulista, Pinacoteca Miguel Dutra e Museu Prudente de Moraes…
Na transição de secretários, no final de 2004, o José Carlos de Moura fez um diagnóstico da situação da Ação Cultural. E essa triagem me ajudou a ver por onde começar. Eu já sabia quem eram os funcionários. Sou uma pessoa de planejamento, não entro para a briga sem antes planejar a guerra. Temos hoje 23 municípios no entorno de Piracicaba, agora com o Conglomerado Urbano. Quais deles possuem dois teatros municipais? Mesmo Campinas, com 1.2 milhão de população flutuante, veja o caos que está. Olhe Sorocaba, com 600 mil habitantes. Que eu saiba eles não possuem um teatro municipal. Nós, com 370 mil habitantes, temos dois teatros municipais, uma biblioteca construída de quase 3.000 metros, a Estação da Paulista com pista de caminhada, dois centros culturais e um centro do idoso. Uma Pinacoteca renovada com mais de 500 obras de altíssimo valor.

Em 2011, após coletiva de imprensa do sexto Fentepira, no Teatro, com a comissão organizadora do evento. Foto: Rodrigo Alves

Em 2011, após coletiva de imprensa do sexto Fentepira, no Teatro, com a comissão organizadora do evento | Foto de Rodrigo Alves

Em todos esses exemplos, a renovação foi total…
Nesses sete anos conseguimos colocar todos os departamentos nos lugares certos. Por exemplo: quando assumi a Ação Cultural, a Ceta (Cia. Estável de Teatro Amador de Piracicaba) era no Engenho Central, de maneira improvisada. Eu olhava para aquilo e pensava: “Meu Deus, as coisas precisam estar no lugar certo. O lugar deles é no Teatro (Municipal Dr. Losso Netto)”. Mas aí vai para o Teatro, tem uma Sala 2 improvisada e minimamente inacabada. Tivemos que ver quais as necessidades primárias de reconstrução, de reformulação, de recondução de alguns espaços, como a Pinacoteca Miguel Dutra e o Teatro Losso Netto, que demandaram de dois a três anos. O Losso Netto só conseguimos terminar no último ano da minha gestão. Eu me lembro bem que entregamos o último banheiro para deficientes, pouco antes da minha saída para concorrer à Câmara. E, agora, recompomos as 670 poltronas, e outras coisas mais. Tudo foi reconduzido da maneira como imaginávamos em 2005.

E sobre a formação de um corpo estável em dança e artes cênicas
A Ceta hoje tem a Sala 2 do Teatro Municipal, uma sala só para eles. A Cedan (Cia Estável de Dança) também. E assim cada qual no seu lugar. O próprio MovimentAção Cultural, que antigamente era o projeto Cultura nos Bairros, agora é um programa. Para você ter uma ideia, a coisa cresceu tanto com esses cinco centros culturais nos bairros da cidade, que não é apenas você dar espaço, mas se preocupar com a manutenção, capacitar os profissionais e atender bem a população, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos. Cada qual tem o seu anseio. E isso até que as pessoas se acostumem com aquele espaço, que entendam que aquilo é delas.

Uma das realizações recentes, que terá sua inauguração dia 1º de abril, é o projeto Colorindo a Saudade, com as pinturas no Cemitério da Saudade. As obras de arte a céu aberto tiveram grande repercussão e você já fala no tombamento delas.
Aquilo virou um ponto turístico, um boulevard cultural… Tombar as obras no Cemitério é valorizar o trabalho dos artistas, não deixar que alguém passe tinta em cima. Enquanto eu estiver viva, serei o pit bull daquilo. Quero fazer isso também com os afrescos da Società Italiana di Mutuo Soccorso. Já está tombado como bem móvel a árvore da Sapucaia. Até o ano retrasado, tínhamos na lei apenas tombamento de bens imóveis. Daí fomos projetando para que se inserissem os bens móveis e os imateriais. Agora, temos uma lei completa. Poucas cidades têm isso no país.

Ao ser anunciada a Virada Cultural pelo Governo do Estado de São Paulo, em 2007, foi aquele burburinho, pois Piracicaba ficou de fora. No entanto, a cidade passou a integrar a ‘rota’ em 2010, na quarta edição, já com atrações internacionais, o que se repetiu no ano passado com Pink Martini…
As datas que o Governo do Estado de São Paulo passava confrontavam com a Festa das Nações, nossa prioridade, faz parte do nosso calendário e não devemos esquecer: é filantrópica. Tivemos um amplo diálogo com o Estado, para que enviasse as datas com antecedência, permitindo a negociação com as entidades da Festa das Nações para fazer o evento antes ou depois da Virada.

O que vocês pensaram de novo para a Virada desse ano?
Optamos por não trazer o internacional. Yann Tiersen, que veio em 2010, nos causou um ‘problemaço’. Pedimos para que fosse no Engenho e não nos acataram. Pink Martini (2011) que todos achavam que iria lotar, era mais intimista, nem tantas pessoas conheciam. A gente não quer é as atrações dos dois anos se repitam. E este ano, que ampliou de 23 para 27 cidades, são poucas bandas grandes, como o Ultraje a Rigor e os Titãs que vieram ano passado. Pensamos em Mart’nália pra agradar a moçada, os universitários. Não temos nada confirmado ainda, pretendo anunciar antes da minha saída, mas não sei se consigo.

Teremos novamente o Palco 2, que nasceu no ano passado exclusivamente para as bandas locais?
Ontem (29/03) nós soubemos que Piracicaba talvez seja a única cidade que tenha dois palcos externos. Pelo menos por hora. E também pedimos para que incluíssem o Teatro Erotídes de Campos. Quando vieram para fazer a vistoria, não acreditavam que iria ficar pronto em tempo. Talvez façamos algo por nossa conta no Teatro novo, são ideias que estão sendo amadurecidas.

Em reunião solene no Dia Internacional da Mulher, realizada pela Câmara, você foi muito incisiva ao pedir envolvimento feminino na política…
A política, por si só, é masculina. As mulheres, quando estão envolvidas, tem desafios maiores que os homens. Pela própria natureza, ela tem desafios. Mas nunca esse tive confronto de gênero, na própria engenharia ou quando fui fazer piano. Sempre fui à frente do meu tempo, talvez por ter vivenciado na Europa uma cultura muito à frente da nossa. É preciso ver a alma da pessoa, a sua competência. Ser mulher é muito gostoso, foi muito importante porque pude trazer ao mundo duas mulheres.

Como deseja ser lembrada pelo trabalho na Ação Cultural?
Difícil, hein (risos)? Ah… não sei (pausa). Por uma mulher que rompeu barreiras, pode ser? Ser mulher num mundo machista já é difícil, ainda mais rompendo barreiras. E aqui eu rompi muitas barreiras.

6 comentários em “Rosângela Camolese: uma mulher que rompeu barreiras

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  3. Bruno Chamochumbi
    31 de março de 2012

    Excelente entrevista ! Realmente, trabalhar com a Rô é conhecer uma pessoa diferente da imagem construida pelo senso comum. Ela é forte, decidida e competente. Isso é para poucos (e poucas) na verdadeira política publica.

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  4. Thiago Rozineli
    31 de março de 2012

    Parabéns Rodrigo…
    Parabéns Rô… A cada dia de trabalho junto de ti reforça o compromisso que temos com a cidade de Piracicaba!

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  5. Vilma Souza Oliveira Gastão
    30 de março de 2012

    PARABÉNS RODRIGO ALVES PELA ENTREVISTA… BELO TRABALHO…

    EM POUCAS PALAVRAS…

    “ROSÂNGELA CAMOLESE…” “NÓS PIRACICABANOS, TEMOS QUE APLAUDI-LA!!! GRANDE GUERREIRA!!! DIGNA DE NOSSO RESPEITO E ORGULHO!!!”

    ABRAÇOS…

    VILMA SOUZA OLIVEIRA GASTÃO
    OU SEJA: VILMA SOUZA

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  6. Monica Faria
    30 de março de 2012

    Ela pode voltar prá Câmara, certamente tem competência de sobra, mas a Rô Camolese tá perpetuada já como a Secretaria da Cultura “The Best” da cidade.
    Difícil alguém igualar…vai ter de sambar muito.

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#PiraParade #Piracicaba250anos Festa na roça #piracicaba250anos Jornalista sendo jornalista até no bar! Eu pagando de tímido e sendo flagrado no Leblon Janelas do Tempo, exposição aberta hoje na Acipi, promovida pela Câmara de Vereadores de Piracicaba, para comemorar os 250 anos da cidade. #piracicaba250anos Como é bom ser criança! Lorenzo empolgado com a coleção de minions! Aquecendo com a #MinhaOSP A Arte em Bronze, exposição que será aberta nesta sexta-feira, 7, na Pinacoteca Miguel Dutra, às 20h, reúne obras de 34 artistas do Brasil e do exterior. Visitas até 29/7, de segunda a sexta, das 8h às 17h. Entrada gratuita. #Piracicaba250anos
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