Dando Nota

Rodrigo Alves

Vai durar 24 horas mesmo?

Já que o assunto da semana é a Virada Cultural, vamos lá falar dela. Aliás, comecei já no sábado, na minha coluna Culturando, que assino na página 2 do Jornal de Piracicaba. Para quebrar a rotina, ao invés de postá-la na página Culturando deste blog, coloco em meio aos posts. Diz aí: você concorda comigo?

A contar de hoje (sábado, 15), temos exatamente uma semana para a famigerada Virada Cultural Paulista versão caipira, centrada em três palcos piracicabanos: Engenho Central, Sesc Piracicaba e Teatro Municipal Dr. Losso Netto. Para quem está no clima e pretende passar as 24 horas curtindo as atrações, há até a possibilidade de se enveredar por terras paulistanas e apreciar por lá a virada original, imensamente maior que a nossa e já na sexta edição, com início às 18h de hoje e término amanhã, no mesmo horário. O que vai ser por aqui, é difícil saber, mas já é possível ter uma prévia acessando o blog oficial do evento, o viradapiracicaba.wordpress.com.

Logo que a Secretaria de Estado da Cultura — organizadora da maratona — incluiu Piracicaba em meio às outras 20 e tantas cidades de São Paulo, fui um dos primeiros a comemorar. Até comentei nesta coluna os anos de espera, os motivos de o evento não ter sido realizado anteriormente, entre outras questões. Passada a euforia, veio a fase do “pé no chão”, de ver o que ficou de bom na programação e o que realmente dá para aproveitar. Ao menos tenho como desafio ficar as 24 horas acordado para ter uma avaliação concreta da Virada. Por enquanto, a julgar pelo que foi divulgado, estou com a sensação de que tudo vai ser mais do mesmo.

As atrações não são lá o supra-sumo da cultura, principalmente a que ficou por conta do município, preenchida aos montes com atividades de dois projetos: o Recriando (que atende crianças e adolescentes com o objetivo de minimizar as condições de risco e permanência nas ruas) e o Case (que atende crianças e adolescentes de 7 a 16 anos em situação de risco pessoal e social). Serão atividades de qualidade, pensada para grandes platéias, ou apenas resultado de oficinas ministradas com adolescentes? Primeiro precisaremos assistir para chegar a uma conclusão, pois os projetos são pouco conhecidos. Mas pensar que o foco de suas performances vai cair bem em um evento de massa, é ingenuidade.

Se analisarmos a Virada em números, logo perceberemos que ela não será pequena: das 74 atrações anunciadas para as 24 horas de atividades, 22 serão dos dois projetos, as demais 20 envolvem outras secretarias — como Educação e Turismo — e outra parte foi desenvolvida pelo Sesc (que incluiu parte do que já desenvolvia aos sábados na agenda, como o Piquenique com Prosa, a exibição de filmes infantis e apresentações musicais).

Quantidade e qualidade nem sempre caminham juntas. Foi inserida, por exemplo, até divulgação de campanhas como atividades da Virada (leia-se: divulgação da campanha Diga não ao trabalho infantil). Penso que isto é mais uma abordagem para quem está no evento do que uma atração, por isso não precisaria ser incluída no roteiro. Mas foi e deu aquela impressão de que era preciso colocar algo para cumprir espaço.

Temos coisas boas reservadas para a cidade, não há como deixar de lado esse mérito: a Orquestra Piracicabana de Viola Caipira, o multiinstrumentista Yann Tiersen, os Paralamas do Sucesso e o grupo Andaime. Mas tenho minhas dúvidas se vai ser realmente possível passarem as 24 horas acordados, respirando cultura.

Se analisarmos a programação a partir do discurso de seus proponentes: oferecer cultura para quem não possui condições de pagar pelo seu consumo e dar a chance àqueles que já apreciam de terem contato com outras manifestações, dificilmente a proposta será cumprida, ao menos que pensemos que a Virada traz como uma das únicas vantagens o fato de a pessoa não bancar os geralmente amargos preços dos ingressos.

Temos ainda shows que já vieram para a cidade zilhões de vezes — como Paralamas do Sucesso e a própria Lu Garcia, sempre mais do mesmo há pelo menos uns cinco anos. Mesmo em clima de “nossa, mais uma vez isto aqui!”, eles funcionam de maneira diferente ao ar livre e para multidões.

Mas a Virada tem o seu mérito: pelo menos por alguns momentos e de forma ilusória, a cidade ganha alegria e movimento de festa.

Um comentário em “Vai durar 24 horas mesmo?

  1. Flávia
    19 de maio de 2010

    Isso está com cara de Furada Cultural!

    Bjo

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 18 de maio de 2010 por em Curiosidades e marcado , .

Tradutor

Receba notificações de posts por e-mail.

Follow Dando Nota on WordPress.com

Instagram

Lorenzo, 22 meses! #padrinhobabão Job da noite: Rádio Câmara Web Lorenzo fazendo arte, ensinado pelo padrinho! No filter #piracicaba250anos #piracicaba250anos #PiraParade #Piracicaba250anos Festa na roça #piracicaba250anos Jornalista sendo jornalista até no bar!
%d blogueiros gostam disto: